quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

As fontes e a produção historiográfica

Fontes historiográficas e seu tratamento

É importante distinguir a matéria-prima do trabalho dos historiadores (a fonte) do produto acabados ou semi-acabado (fonte secundária e fonte terciária). Do mesmo modo, importa notar a diferença entre a fonte e o documento e o estudo das fontes documentais: a sua classificação, prioridade e tipologia (escritas, orais, arqueológicas); o seu tratamento (reunião, crítica, contraste), e manter o devido respeito a essas fontes, principalmente com a sua citação fiel. A originalidade do trabalho dos historiadores é uma questão delicada.

A historiografia como produção historiográfica

Historiografia é o equivalente a qualquer parte da produção historiográfica, ou seja: ao conjunto dos escritos dos historiadores acerca de um tema ou período histórico específico. Por exemplo, a frase: "é muito escassa a historiografia sobre a vida quotidiana no Japão na Era Meiji" quer dizer que existem poucos livros escritos sobre esta questão, uma vez que até ao momento ela não recebeu atenção por parte dos historiadores, e não porque esse objecto de estudo seja pouco relevante ou porque haja poucas fontes documentais que proporcionem documentação histórica para fazê-lo.

No que diz respeito à difusão e divulgação da produção historiográfica, seria bom que cumprisse os mesmos requisitos a que se submetem as demais publicações científicas.

Também se utiliza o vocábulo "historiografia" para falar do conjunto de historiadores de uma nação, por exemplo, em frases como esta: "a historiografia espanhola abriu os seus braços e os seus arquivos a partir da década de 1930 para os hispanistas franceses e anglo-saxãos, que renovaram a sua metodologia."

É necessário diferenciar os dois termos utilizados acima: "produção historiográfica" e "documentação histórica", ainda que em muitos casos coincida que os historiadores utilizem como documentação histórica precisamente a produção historiográfica anterior.

Por exemplo: sobre um conjunto de documentos de arquivo da Casa de Contratação em Sevilha que foi produzido apenas para fins de contabilidade; ou qualquer material arqueológico que esteja em uma escavação no Peru, e se depositou sem a intenção de que alguém o encontrasse; um historiador americanista terá de usar a "Brevísima Relação da Destruição das Índias", que foi escrita por Frei Bartolomé de Las Casas com um afã histórico indubitável, além de com fins da defesa de um interesse ou do seu próprio ponto de vista.

Com este último vemos outra insuperável característica da História que a peculiariza como ciência: nenhum historiador, por mais objectivo que pretenda ser, é alheio aos seus próprios interesses, ideologia ou mentalidades, nem pode subtrair-se ao seu ponto de vista particular. Quando muito, pode tentar a intersubjetividade, ou seja, ter em conta a existência de múltiplos pontos de vista. Para o caso do exemplo em tela, contrastar as fontes de Bartolomé de las Casas com as demais vozes que se ouviram na Junta de Valladolid, entre as quais se destacou a de seu rival, Juan Gines de Sepulveda, ou inclusive com a chamada "voz dos vencidos", que raramente é preservada, mas às vezes sim, como acontece com a "Nueva Crónica y Buen Gobierno" do inca Guaman Poma de Ayala.

A reflexão sobre a possibilidade ou impossibilidade de um enfoque objectivo conduz à necessidade de superar a oposição entre a objectividade (a de uma inexistente ciência "pura", que não seja contaminada pelo cientista) e subjectividade (implicada nos interesses, ideologia e limitações do cientista), com o conceito de intersubjectividade, que obriga a considerar a tarefa do historiador, como o de qualquer cientista, como um produtor social, inseparável do restante da cultura humana, em diálogo com os demais historiadores e com toda sociedade como um todo.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Historiografia

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