sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

HERÓDOTO, O PAI DA HISTÓRIA




Heródoto nasceu em Halicarnasso, capital da Cária, no ano 484, antes de Cristo. Conheceu o apogeu da sua Grécia e viveu até o ano 443 A.C. em Atenas. Foi criado por Pamiatis, seu tio e poeta épico, que lhe ofereceu a oportunidade de uma educação esmerada, proporcionando-lhe longas viagens ao mundo antigo.

Assim, Heródoto foi para o Egito, onde estudou a sua origem. Em seguida viajou pela Líbia, Fenícia e Babilônia, passando pela Pérsia, Macedônia, Trácia, Cítia.
Esta peregrinação lhe permitiu descrever o Egito para a posteridade com detalhes sobre o seu território, seus monumentos, seu povo, ídolos e religiões.
Coube-lhe, ainda narrar com fidelidade as guerras médicas, concluindo com o choque fatal entre a Grécia e a Pérsia, em dialeto Jônico.

A época de Heródoto houve a grande reforma que mudou os rumos políticos da Grécia. Até então, o Aerópago (que congregava os homens públicos mais ricos, mais velhos e de melhores qualidades) podia contrariar decisões do Conselho e da Comunidade, impondo-lhes censura aos costumes e censura política.
Péricles foi o grande vencedor desta causa.

Aos 40 anos de idade, Heródoto foi para a Itália, em uma expedição colonizadora chefiada por Lampion que, segundo se dizia, tinha poderes proféticos, com a missão de levar a cultura helênica ao Mediterrâneo.
Lá os colonos fundaram a cidade de Túrio (Lucânia) posteriormente conhecida pelo nome de Torre Brodognato.

Vez por outra Heródoto viajava para a Grécia e voltava para a Itália onde trabalhou por muitos anos em suas pesquisas, legando para a humanidade uma grande contribuição histórica, quando veio a falecer, no ano 425 A.C....

A história de Heródoto é uma espécie de crônica de todos os povos conhecidos à sua época e apresentava tal unidade, característica fundamental para uma grandiosa epopéia.

Sua obra vem recebendo severas críticas, de historiadores modernos, que buscam em seus textos o elemento religioso como se quizessem expô-lo ao ridículo.
Esquecem estes críticos que Heródoto viveu antes da era cristã, quando cada cidade, cada país, tinha seus deuses e tudo de bom e de mal que acontecia, era atribuído à inveja ou à ira, ou à magnanimidade divinas.

Hoje não é a religião cristã a maior do mundo?
E os povos atuais crêem menos?

Para a compreensão dos gênios da antiguidade, a exemplo de Heródoto, haveremos de colocar a questão religiosa em seu devido lugar.

Vale salientar que à época de Heródoto, os povos guerreavam entre si constantemente. Neste período, a Grécia venceu os medos e persas, depois da ocupação dos estados gregos pelo rei Dario; os gregos deram a volta por cima e, em várias batalhas, venceram os exércitos persas, notabilizando a planície de Maratona (490 A.C.), Platéia ( 479 A.C.), Termópila e Salamina, vencendo os exércitos do rei Xerxes.

Heródoto foi secundado por Tucídides, historiógrafo com características mais realistas, embora ainda idealista.
Heródoto é tido como romântico. E estas diferenças são próprias da transição que ambos vivenciaram em época tão remota.

A base científica da história inicia-se no século XIX com a possibilidade de análise de materiais acumulados ao longo dos séculos, que permitiram a metodologia da comparação e da sintetização.

Cadmor de Mileto (540 A.C.) é considerado o mais antigo historiador grego. Sua obra, entretanto, era baseada em algumas tradições orais e em fantasias mitológicas.

Heródoto continua reinando, com todo o direito, como o
"Pai da História".
Ricardo De Benedictis
Publicado no Recanto das Letras em 09/08/2005
Código do texto: T41562

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