domingo, 16 de dezembro de 2007

O que é pós-moderno?


Afinal, o que é pós-moderno???

A obra “O que é pós-moderno de Jair Ferreira dos Santos carrega consigo algumas características gerais mas bastante marcantes como a utilização de metáforas, o uso da linguagem coloquial, as incessantes comparações entre modernidade e pós-modernidade, e a utilização de exemplos reais e citações.
O livro, de leitura rápida e agradável, inicia de uma forma inusitada. O autor chama o pós-modernismo de fantasma. Este surgiu em 1950 quando ocorreram mudanças em vários âmbitos: ciências, artes, sociedade etc. O “fantasma” pode ser encontrado em nosso dia-a-dia diante da explosão e saturação das informações. Não se sabe ao certo se o pós-modernismo significa decadência ou renascimento cultural. Decadente pois, segundo muitos críticos, não tem força intelectual; mas renascimento pois abala os preconceitos, ameniza o muro entre arte culta e de massa e é pluralista, já que propõe a convivência de estilos diversos.
Assim é feita a pós-modernidade: de contradições. O pós-modernismo é o niilismo: ausência de valores. É a entrega ao presente e ao prazer, ao consumo e ao individualismo. Jair Ferreira afirma ainda que o pós-modernismo é típico de sociedade pós-industriais baseadas na informação, tais como EUA, Japão e Europa.
Os meios de comunicação refazem o mundo à sua maneira, hiper-realizam o mundo pois algo inviável na realidade, pode ser possível na televisão. A pós-modernidade é um mundo super-criado pelos signos. Compramos algo não pelo seu poder de uso, mas por causa do status; as pessoas passaram a ser pelo que vestem.

Atualmente quem não usa jeans e tênis, paga o preço da marginalidade social. Essa é a chamada desreferencialização do rela e dessubstancialização do sujeito.

O pós-moderno tem algo de moderno, mas de forma exagerada, como o individualismo exacerbado, por exemplo. As preocupações pós-modernas estão presas à coisas menores, ao cotidiano.


Nos anos 60, houve o DNA, a pílula, o rock, o chip etc, e tudo isso foi mola propulsora para o surgimento da pós-modernidade. A máquina passou a ditar valores diferentes da religião e tradição tais como a solidão, a cultura de massa etc. Durante esse período, há o consumo de serviços, comunicação entre as pessoa. É necessário um acelerador de informações. Tudo passa a ser signo processado.
A produção e o próprio consumo são programados na pós-modernidade. O que aumenta o desempenho e facilita a vida. É preciso qualidade e tecnologia para se poupar tempo e dinheiro. Por isso, há tecnologia no cotidiano. As pessoa são bombardeadas por informação e isso provocam efeitos culturais, políticos etc.
O Design, por exemplo, estetiza o cotidiano. A moda e a publicidade erotizam o dia-a-dia com fantasias e proporcionando desejos de posse. Forma-se então o circuito: informação – estilização – erotização – personalização.

Com tantas facilidades no dia-a-dia, a pessoa se despolitiza. A sua participação social tem pequenos objetivos. Não há preocupação com grandes temas e a pessoa pode ser várias coisas ao mesmo tempo (vegetariano, programador, budista etc)
A arte sofreu uma importantes mudança durante a pós-modernidade. A arte modernista definia-se como um não ao passado, à tradição. A arte não representava a realidade, mas sim fazia com que nós a interpretássemos. A arte era autônoma, e ganha novas linguagem como o formalismo e o hermetismo. É uma arte irracional, emotiva, humanista. Já a arte pós-moderna surge em meados dos anos 50 contra o subjetivismo e o hermetismo. É a chamada antiarte: sai dos museus e é lançada na rua com outra linguagem, de fácil assimilação para o público. Dá valor artístico à banalidade cotidiana. .
A entropia é um termo importante para o mundo pós-moderno já que significa que nas sociedades atuais tudo migra em direção à confusão, não há valores solidificados, nem ordem. A entropia na forma se dá por meio da destruição do romance e a entropia no conteúdo é a destruição do mundo e dos valores.
Filhos da bomba atômica, escritores americanos respondiam ao drama do absurdo social de forma cômica ou cínica. Pois era como se a saída estivesse em rir do caos vivido. É como se os homens tivessem perdido a cabeça, caído no ridículo deixando o computador programar seus fins, não podendo fazer nada, apenas rir.
Sem enredo, assunto ou personagem, o Nouveau Roman (novo romance) mistura realidade, sonho, delírio e cria um clima de incerteza, embaralha a ordem espacial e temporal dos acontecimentos numa extrema fragmentação e privilegia o texto, o ato de escrever. Essa novo romance realça a técnica de construção, dedica-se à destruição do romance e deixa de lado o conteúdo.
Alguns escritores se utilizam, em seus poemas, do erotismo, da sedução, da contestação que refletem a significante ascensão feminina durante a pós-modernidade.
O modernismo foi bastante forte no Brasil. Porém, o pós-modernismo não o foi e apresentou traços superficiais. Foi durante os anos repressivos (70) que a poesia rompeu sua ligação com a realidade e passou a ser marginal.

Nasce o poema pornô, e o uso das linguagem coloquiais torna-se mais freqüente. O campo desse tipo de poema é a banalidade cotidiana, o corpo, o consumo.
Havia ainda duas correntes na poesia: o poema processo e a arte postal que estavam à margem das editoras e do livro. Inauguraram a junção de palavra e imagem e resultavam geralmente em uma arte humorística e irônica.
Mas o pós-moderno também visitou a dança, o teatro, a música e o cinema. Caracterizava-se por linhas “minimalistas”, pela desdefinição, desestetização etc. no cinema podemos identificar gêneros mais presentes como a ficção científica e a tecnociência.
O pós-modernismo chega à filosofia em meados dos anos 60 com a proposta de descontrução do discurso filosófico ocidental. Desconstruir aí, é falar o não dito. O pós-modernismo está associado à decadência das grandes idéias, valores e instituições ocidentais – Deus, Verdade, Família etc.
Tudo isso recai no niilismo que é a falta de valores para agir. Hoje, os discursos globais e totalizantes quase não atraem ninguém e as filosofias sempre mantiveram discursos globais.
A tecnociência invade o cotidiano com mil serviços mas não oferece nenhum valor moral além do consumismo. As sociedades têm meios racionais, mas perseguem fins irracionais como o lucro e o poder.
Os filósofos pós-modernos lutam em duas frentes. Uma de desconstrução dos princípios e concepções do pensamento ocidental e outra de desenvolvimento e valorização de temas antes considerados menores em filosofia tais como a sexualidade, a linguagem, a poesia, o cotidiano, que são elementos que aceleram a decadência dos valores ocidentais.
Um dos maiores filósofos entrou em moda nos anos 70. Nietzsche já era um pós-moderno em finais do século XIX. Para ele, a própria criação de valores supremos significou decadência, pois se trocou a vida carnal por modelos de belo, bom, justo inatingíveis. A história ocidental se encarregou de desvalorizar os valores supremos, substituindo-os pela banalidade cotidiana.
A pós-modernidade é o momento em que o cristianismo, o conhecimento científico e a verdade são valores em decadência. O homem ocidental quis governar sua existência só pela razão quando, na verdade, a vida é também instinto e emoção.
O pensamento pós-moderno é bastante eclético e, portanto, permite cruzar teorias como o marxismo (Marx) e a psicanálise(Freud). A cena filosófica pós-moderna tem no palco a tecnociência em contradança com o niilismo. Enquanto alguns defendem o niilismo, outros querem deter sua avalanche.
Para Habbermas, pertencente à Escola de Frankfurt, a saída, na era da informação, está na comunicação autêntica, combatendo os efeitos maléfico da comunicação de massa, diluidora, anti-humana.
Nos anos 80, o pós-modernismo chegou até às massas inaugurando um novo estilo de vida permeado basicamente pelo espírito consumista, hedonista e narcisista (além de extremamente individualista). Não a opção para não consumir pois o apelo ao novo é constante.
Essa massa atingida pela febre pós-modernista também sofreu suas modificações e passou a Ter características marcantes. A massa pós-moderna traz consigo traços de desmobilização e despolitização. É consumista, classe média, flexível nas idéias e nos costumes. As instituições ideologia, política, trabalho não mais orientam o comportamento dessa pessoas social. Vive sem referências ao passado e sem projeto de futuro. É pragmática sim, mas não ideológica. Prefere movimento com fins práticos como a liberação sexual, o feminismo, a educação permissiva e questões do dia-a-dia. A formação dessa massa se dá por meio, essencialmente, da escola e da mass media. Os indivíduos procuram credos menos coletivos. O homem pós-moderno não é religioso, é psicológico por isso diz- se que o pós-modernismo é o túmulo da fé. Nessa sociedade, os valores foram trocados por modismos, e os ideais pelos ritmos cotidianos. O indivíduo atual é sincrético, ou seja, de natureza confusa, indefinida, plural, feita com retalhos eu não se fundem num todo. No mundo pós-moderno, objetos e informações são descartáveis.

FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL CÁSPER LÍBERO
Texto de Filosofia – Prof. Francisco Nunes
Desenvolvido por: Cláudia Marques Fernandes – Maria Fernanda Blaser – Sheila Bezerra de Magalhães –

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