quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A ESCOLA DOS ANNALES (1929-1989) Parte 4 - Peter Burk

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Os Annales numa Perspectiva Global

I – A ACOLHIDA AOS ANNALES

É tempo de examinara carreira do movimento dos Annales além fronteiras- não só da França mas também da própria ciência histórica. A história a ser contada-brevemente-não será apenas um relato da expansão do evangelho no exterior. Na verdade, os Annales tiveram uma má-recepção em muitos lugares. Meu objetivo é antes descrever a variedade de respostas à nova história, não somente louvores e críticas, mas tentativas de colocar os instrumentos criados pelos Annales a serviço de diferentes áreas, tentativas que, algumas vezes, revelaram fraquezas na concepção original[1]. Em função da extensão da área a ser coberta, a descrição será inevitavelmente seletiva e impressionista.

Os Annales no estrangeiro Antes da Segunda Guerra Mundial, os Annales já tinham aliados e simpatizantes no exterior, de Henri Pirenne, na Bélgica, a R.H. Tawney, na Grã-Bretanha[2]. Foi somente na era de Braudel, porém, que a revista e o movimento tornaram-se conhecidos em toda a Europa[3]. O Mediterrâneo naturalmente atraiu leitores daquela parte do mundo: a tradução italiana do livro de Braudel apareceu, como a espanhola, em 1953. Dois italianos, Ruggiero Romano e Alberto Tenenti, estavam entre os colaboradores mais próximos de Braudel. Alguns dos mais destacados historiadores

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italianos da década de 50 eram amigos de Febvre e simpatizavam com o movimento dos Annales Eles vão desde Armando Sapori, historiador dos mercadores italianos medievais, a Delio Cantimori, que partilhava do interesse de Febvre nos heréticos do século XVI. A enorme História da Itália, lançada pelo editor Giulio Einaudi em 1972, está centrada no desenvolvimento na longa duração, presta homenagem a Bloch no título do primeiro volume e inclui um longo ensaio de Braudel[4].

Na Polônia, apesar da predominância oficial do marxismo, ou talvez por isso mesmo, os historiadores de longa data demonstraram um grande entusiasmo pelos Annales. Nas universidades polonesas anteriores à guerra, havia um interesse tradicional pela história social e econômica. Jan Rutkowski colaborou nos Annales na década de 30 e fundou uma revista similar. Um grande número de historiadores poloneses estudou em Paris, Bronislaw Geremek, por exemplo, um destacado medievalista muito conhecido por seus estudos sobre os urbanos pobres e muito mais conhecido por ser conselheiro de Lech Walesa. Os poloneses demonstraram um interesse considerável pela história das mentalidades. O Mediterrâneo foi traduzido para o polonês e serviu de inspiração para um estudo polonês sobre o Báltico, publicado pelo Centre de Recherches Historiques, em sua coleção “Cahiers des Annales” (Malowist, 1972).

Um interesse maior foi provocado pelo famoso ensaio de Braudel sobre a “história e as ciências sociais” (Braudel, 1958, conf. Pomian, 1978). Sua influência pode ser constatada numa das mais notáveis obras históricas do pós-guerra polonês, A Teoria Econômica do Sistema Feudal (1962), de Witold Kula, um historiador a quem Braudel dedica um especial tributo ao descrevê-lo como “mais inteligente do que eu” (Braudel, 1978, p. 250)[5]. Nesse livro, Kula faz uma análise econômica dos latifúndios poloneses nos séculos XVII e XVIII. Mostrou que o comportamento econômico dos proprietários de terras poloneses era o oposto do que previa a economia clássica. Quando o preço do centeio, seu produto

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principal, aumentava, produziam menos, e quando o preço abaixava, produziam mais. A explicação desse paradoxo deveria ser encontrada, diz Kula (diferentemente de Braudel, mas de acordo com outros historiadores dos Annales), no reino da cultura, ou das mentalidades. Tais aristocratas não estavam interessados em lucros, mas em manter seu estilo de vida, da maneira a que estavam acostumados. As variações na produção eram tentativas de manter uma renda padrão. Seria interessante imaginar as reações de Karl Marx a essas idéias (Kula, 1962).

Na Alemanha, por outro lado, a história política permaneceu predominante nos anos 50 e 60. Dada a importância das novas abordagens históricas na época de Schmoller, Weber e Lamprecht, discutidas na abertura deste estudo, pode parecer estranha essa dominância. Contudo, depois das experiências traumáticas dos anos 1914-18 e 1933-45, torna-se difícil negar a importância quer da política, quer dos acontecimentos; em conseqüência, as principais controvérsias históricas concentraram-se em Hitler e no papel desempenhado pela Alemanha nas duas guerras mundiais. Foi somente quando a geração do pós-guerra chegou à maturidade, na década de 70, que o interesse modificou-se em direção à “história cotidiana” (Alltagsgeschichte), à história da cultura popular e à história das mentalidades (Conf. Iggers, 1975, pp. 80 ss. 192 ss).

A Inglaterra, pelo menos nas décadas de 40 e 50, foi também um bom exemplo do que Braudel denominava “recusa a tomar emprestado”. Marc Bloch era visto mais como um competente histo riador econômico da Idade Média do que o representante de um novo estilo de história, enquanto Febvre era pouco conhecido, mais entre os geógrafos do que entre os historiadores. Na sua primeira edição, O Mediterrâneo de Braudel não foi discutido nem na English Historical Review, nem na Economic History Review. Antes dos anos 70, traduções dos livros dos historiadores dos Annales eram extremamente raras. A exceção à regra foi Marc Bloch. Pode-se dizer que o interesse de Bloch pela história inglesa e sua propensão a afirmações reticentes (tão diferente do comportamento de Lucien Febvre) permitiu-lhe ser visto como uma espécie de inglês honorário[6].

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As razões da ausência de traduções podem ser encontradas nas resenhas sobre os principais livros da escola, feitas nas revistas inglesas do Times Literary Supplement ao English Historical Review. Nelas, seus autores referiam-se, um após o outro, ao que denominavam “o afetado e irritante estilo dos Annales”, “o estilo excêntrico legado por Lucien Febvre”, ou “o jargão esotérico que sugere, às vezes, que os autores da VI Seção escrevem apenas para serem entendidos entre si”[7]. Aqueles que apoiavam, na Inglaterra, no início da década de 60, os Annales, possuíam o sentimento de pertencerem a uma minoria acrética, tal como os que apoiavam Bloch e Febvre, nos anos 30, na França.

Termos como conjuntura e mentalidades coletivas mostraram-se virtualmente impossíveis de serem traduzidos e extremamente difíceis de serem compreendidos pelos historiadores ingleses – sem se falar na aceitação. Suas reações, intrigadas, desconfiadas ou hostis, lembram as de seus colegas filósofos em relação às obras de Sartre e Merleau-Ponty. Os ingleses achavam, nem pela primeira nem pela última vez, que simplesmente eles não falavam a mesma língua. A diferença entre a tradição inglesa empirista e seu individualismo metodológico e a tradição teórica francesa e o seu holismo inibia qualquer contato intelectual. Na Inglaterra, desde os tempos de Herbert Spencer, ou mesmo antes, pressupunha-se que entidades coletivas como “sociedade” são fictícias, enquanto os indivíduos existem[8]. As conhecidas afirmações de Durkheim sobre a realidade do social foram escritas para demolir as pressuposições de Spencer e sua escola. Outro exemplo dramático dessa disputa data dos anos 20, quando o psicólogo de Cambridge, Frederick Bartlett, criticou o famoso estudo de Maurice Halbwachs da estrutura social da memória, por criar uma entidade fictícia, “a memória coletiva” (Bartlett, 1932). Ainda hoje pode-se ouvir historiadores ingleses criticarem a história das mentalidades coletivas em termos semelhantes.

Seria fácil multiplicar os exemplos das variações regionais na acolhida à nova história. Inclusive a relação entre os Annales e o

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marxismo diferiu de lugar para lugar. Na França, a simpatia pelo marxismo se acompanhava, geralmente, de uma certa distância em relação aos Annales, apesar da lealdade dúplice de Labrousse, Vilar, Agulhon e Vovelle. Na Inglaterra, ao contrário, os marxistas, especialmente Eric Hobsbawm e Rodney Hilton, estavam entre os primeiros a saudar os Annales (Hobsbawm, 1978). Pode-se entender essa acolhida em termos de estratégia intelectual: os Annales eram um aliado na luta contra o domínio da história política tradicional. É possível também que os marxistas estivessem impressionados com a afinidade entre a sua história e a dos franceses-não somente devido à ênfase nas estruturas e na longa duração, mas também por sua preocupação com a totalidade, um ideal que foi de Marx antes de ser de Braudel. A afinidade tornou-os mais receptivos à mensagem dos Annales. Na Polônia, a institucionalização de uma forma de marxismo significou que suas relações com os Annales seguiram outro padrão[9].

Os Annales e outros campos da história Um outro aspecto da influência dos Annales é a difusão de conceitos, abordagens e métodos, de um período histórico para outro, de uma região para outra. O movimento tem sido dominado por estudiosos do início da Europa moderna (Febvre, Braudel, Le Roy Ladurie), seguidos de perto por medievalistas (Bloch, Duby, Le Goff).

Houve muito menos obras dessa espécie sobre o século XIX, como já vimos, enquanto em relação à história contemporânea tem se afirmado com bastante convicção que os Annales nenhum impacto tiveram. Não é casual: a importância da política na história do século XX inviabiliza a aplicação do seu paradigma ao período, a menos que seja o modificado. A conclusão paradoxal a que chegou um observador alemão simpático ao movimento é a de que uma história, ao estilo dos Annales, sobre a história de nosso século é, ao mesmo tempo, necessária e impossível. “Se for escrita, não será história ao estilo dos Annales. Mas à história contemporânea não pode continuar a ser escrita sem os Annales” (Weaseling, 1978).

No outro extremo do espectro cronológico, a semelhança entre algumas obras recentes de história antiga e o paradigma dos Annales

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é óbvia. Se essa semelhança decorre do “impacto” ou da afinidade é mais difícil determinar. Uma tradição durkheiminiana nos estudos clássicos existia muito antes da fundação dos Annales, tradição exemplificada pelo amigo de Bloch, Gernet, na França, e na Inglaterra, por um grupo de classicistas, em Cambridge, devotado a esses estudos, tais como Jane Harrison e F.M. Cornford, que leu Durkheim e Lévy-Bruhl e procurava traços da “mentalidade primitiva” entre os gregos antigos. Na época de Estrasburgo, como vimos, o historiador de Roma, André Piganiol, participava do grupos dos Annales.

Hoje, destacados historiadores da antiguidade, como Jean-Pierre Vernant e Paul Veyne, fundamentam-se na psicologia, na sociologia e na antropologia, visando interpretar a história da Grécia ou de Roma, de uma maneira paralela a Febvre e Braudel, se é que não seguem exatamente seu exemplo. Vernant, por exemplo, preocupa-se com a história de categorias como o espaço, tempo e a pessoa (Vernant, 1966)[10]. Veyne escreveu sobre os jogos romanos, apoiando-se nas teorias de Mauss e Polanyi, Veblen e Weber, e analisou o financiamento dos jogos em termos de doação, redistribuição, consumo conspícuo e corrupção política (Veyne, 1976).

De maneira geral, a história do mundo exterior à Europa permaneceu relativamente afastada dos Annales Os historiadores da África, por exemplo, mostraram até agora pouco interesse nessa abordagem, com exceção do antropólogo belga Jan Vansina, que utilizou a distinção temporal braudeliana, curta, média e longa duração, como o alicerce de seu estudo sobre a tribo Kuba da África Central (Vansina, 1978, especialmente pp.10, 112, 197, 235)[11]. Embora tenha sido um antigo discípulo de Bloch, Henri Brunschwig, que se tornou um dos mais destacados historiadores da África colonial, seu estudo sobre o imperialismo francês parece dever pouco aos Annales, sem dúvida porque sua preocupação com o passado recente e com a relativamente curta duração (1871-1914) tornam esse modelo irrelevante (Brunschwig, 1960)[12].

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Quanto à Ásia è à América, as coisas são ainda mais complicadas. Embora existam sinais de um interesse crescente nessa abordagem e quatro membros do grupo convidados a participar de uma conferência sobre “a nova história”, realizada em Nova Delhi, em 1988, os historiadores hindus pouco se aproveitaram dos Annales[13]. O mais criativo grupo de historiadores hindus, que navegam sob a bandeira dos “estudos subalternos”, conhecem bem a tradição francesa, mas preferem um marxismo aberto. De novo, apesar do interesse de Bloch no Japão e o entusiasmo geral dos japoneses pelas tendências intelectuais ocidentais, não é fácil assinalar um estudo de história japonesa, dentro da tradição dos Annales. Um certo número de historiadores japoneses estudou na Hautes Études, mas todos trabalham com a história da Europa.

Historiadores de outras partes da Ásia estão um pouco mais próximos dos Annales. Um estudo recente sobre o sudeste da Ásia, escrito por um historiador australiano, intenta uma “história total” da região de 1450 a 1680 e toma como modelo a obra de Braudel sobre a cultura material e a vida cotidiana (Reid, 1988)[14]. Alguns historiadores franceses da China estão próximos, em espírito, dos Annales. A significativa diferença do pensamento chinês é um desafio à história das mentalidades, que provocou mais de uma resposta. Um dos companheiros de escola de Marc Bloch, o sinologista Marcel Granet, compartilhou de seu entusiasmo por Durkheim e escreveu um excelente estudo da .visão de mundo chinesa, fundamentado em seu pensamento, enfatizando o que chamava de “pensamento pré-lógico” e a projeção da ordem social sobre o mundo natural (Granet, 1934).

Mais recentemente, Jacques Gernet, como outros historiadores franceses de sua geração, subiu as escadas que levam do porão ao sótão, dos aspectos econômicos do budismo ao estudo das missões cristãs na China. Seu novo estudo sobre a missão cristã, nos séculos XVI e XVII, pode ser descrito com propriedade como uma história das mentalidades ao estilo dos Annales (Gernet, 1982)[15]. O livro gira

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em torno de mal-entendidos. Os missionários acreditavam que faziam muitas conversões e deixavam de entender o que a adesão à nova religião significava aos próprios convertidos. Os mandarins, de seu lado, não entenderam as intenções dos missionários.

Segundo Gernet, esses mal-entendidos revelam as diferenças entre as categorias, os “modos de pensamento” e os “quadros mentais” de ambas as artes, associadas às diferenças lingüísticas (Gernet, 1982, pp. 12, 189)[16]. Esse foco de luz sobre o encontro de duas culturas permite a Gernet iluminar mentalidades sob formas negadas aos historiadores da Europa. O que Braudel teria descrito, do exterior, como um caso de “recusa a tomar emprestado”, é interpretado, por Gernet, a partir do seu interior.

No caso das respostas americanas aos Annales, o contraste entre o sul e o norte é extremamente significativo. Historiadores da América do Norte, tomados como opostos aos historiadores norte-americanos da Europa, até agora pouco interesse demonstraram no paradigma dos Annales. O giro antropológico na história do período colonial desenvolveu-se independentemente do modelo francês. Embora a obra de Braudel tenha sido descrita como “fascinantemente semelhante em seus objetivos” ao livro de Frederick Jackson Turner, The United States, 1830-1850, estamos ainda aguardando por um novo Braudel americano[17].

Na América Central e do Sul, a história é bem diferente. No Brasil, as aulas de Braudel, na Universidade de São Paulo, nos anos 30, são ainda lembradas. A famosa trilogia sobre a história social do Brasil do historiador-sociólogo Gilberto Freyre (que conheceu Braudel nessa época), trabalha com tópicos como família, sexualidade, infância e cultura material, antecipando a nova história dos anos 70 e 80. A representação de Freyre da casa-grande como um microcosmo e como metáfora da sociedade híbrida, agrária e escravocrata impressionou Braudel, que o citou em sua obra.

Novamente, como uma série de estudos recentes indica, alguns historiadores dos impérios espanhol e português na América tomam,

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de fato, o paradigma dos Annales seriamente[18]. Um bom exemplo é o livro de Nathan Wachtel, La Vision des Vaincus, 1971, uma história dos anos iniciais do Peru colonial do ponto de vista dos índios. Sob diversos aspectos, esse estudo se assemelha aos trabalhos dos historiadores dos Annales sobre a Europa. Ele lida, sucessivamente, com a história econômica, social, cultural e política. É obviamente um exemplo de história do ponto de vista das classes subalternas, tendo muito o que dizer sobre as revoltas populares. Emprega o método regressivo associado a Marc Bloch, partindo do estudo de danças contemporâneas que representam a conquista espanhola, como um meio de recuperar as reações indígenas originais. Toma emprestados conceitos da antropologia social, especialmente o de “aculturação”, um termo posto em circulação na França pelo historiador dos Annales Alphonse Dupront. Contudo, Wachtel não aplica simplesmente o modelo estrutura-conjuntura-eventos dos historiadores do início da Europa moderna. No Peru, as transformações socioculturais da época não se produziram no interior de velhas estruturas. Pelo contrário, o processo foi de “desestruturação”. A preocupação do autor com esse processo confere ao seu livro uma qualidade dinâmica e mesmo trágica, que, inclusive, Les paysans de Languedoc, não pode igualar.

Os Annales e outras disciplinas A acolhida aos Annales, nunca se confinou às fronteiras da história. Um movimento que se fundamentou em tantas das “ciências do homem” atraiu naturalmente o interesse dessas disciplinas. Embora seja difícil mapear a influência da história sobre a sociologia, por ser a primeira menos teórica do que a segunda, vale a pena tentar a empresa.

No desenvolvimento intelectual de Foucault, por exemplo, a “nova história” francesa desempenhou um papel significativo. Foucault caminhou em linhas paralelas às da terceira geração dos Annales. Da mesma maneira que ela, estava preocupado em ampliar os temas da história. Ele tinha algo à ensinar-lhes, como já vimos (conf. p. 103.), mas havia o que deles aprender, também.

O débito de Foucault em relação aos Annales pode ter sido menor do que deve a Nietzche, ou aos historiadores da ciência, como

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Georges Canguilhen (através de quem tomou conhecimento da noção de descontinuidade intelectual), mas ê mais substancial do que ele próprio jamais admitiu. O que Foucault gosta de denominar sua “arqueologia”, ou a sua “genealogia”, tem, pelo menos, uma semelhança familiar com a história das mentalidades. Ambas as abordagens mostram uma grande preocupação com tendências de longa duração e uma relativa despreocupação com pensadores individualizados.

Foucault não aceitava na abordagem dos Annales, em relação à história intelectual, o que considerava a ênfase excessiva na continuidade (Foucault, 1969, p. 32)[19]. Era precisamente em sua vontade de ir até o fundo dos problemas e em discutir como as visões de mundo se modificam que Foucault diferia mais agudamente dos historiadores das mentalidades. Estes têm coisas importantes a aprender de sua ênfase nas “rupturas” epistemológicas, por mais furiosos que estejam com sua recusa em explicar tais descontinuidades.

Na altura dos anos 70, se não mesmo antes, era possível encontrar arqueólogos e economistas lendo Braudel a respeito de “cultura material”, pediatras discutindo os pontos de vista de Ariès sobre a história da infância, e folcloristas escandinavos debatendo lendas folclóricas com Le Roy Ladurie. Alguns historiadores da arte e críticos literários, especialmente nos Estados Unidos, citam também os historiadores dos Annales em seu próprio trabalho, que consideram, como parte de um empreendimento comum, algumas vezes descrito como uma “antropologia literária” ou uma antropologia da “cultura visual”.

Em três ciências, em especial, existe um considerável interesse na abordagem dos Annales. Elas são geografia, sociologia e antropologia. Em cada um dos casos, pelo menos no que concerne ao mundo de fala inglesa, deve ser dito que o interesse é relativamente recente e está virtualmente restrito à obra de Braudel.

É conveniente iniciar-se este balanço pela geografia, pois houve um tempo, mesmo na França, em que os geógrafos tomaram o movimento mais seriamente do que a maioria dos historiadores (Duby, 1987, p. 133). As afinidades entre a geografia histórica de Vidal de la

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Blache e a geo-história de Braudel já foram discutidas e são bastante óbvias. Uma das conseqüências do surgimento do império de Braudel foi, contudo, o declínio da geografia histórica como disciplina, em virtude da concorrência com os historiadores (talvez, possa afirmar-se a mesma coisa em relação à sociologia e à antropologia históricas, na França)(Baker, 1984, p.2).

Em outras partes, a situação é mais complicada. Embora o ensaio de Febvre sobre geografia histórica tenha sido traduzido para o inglês logo após a sua publicação, o mundo de fala inglesa era dominado por um estilo tradicional de geografia que pouco espaço deixava para a abordagem francesa. Esse consenso quebrou-se em data recente e foi substituído por um pluralismo, ou melhor, por uma forte disputa entre marxistas, quantitativistas, fenomenólogos e defensores de outros tipos de abordagens, incluindo-se aí os defensores de Braudel (Baker, 1984). Vale a pena acrescentar que uma história do Pacífico, em três volumes, acaba de ser publicada, escrita não por um historiador, mas por um geógrafo, Oskar Spate (1979-88).

Quanto à sociologia, a inspiração durkheiminiana do início dos Annales ajudou a assegurar uma calorosa recepção desde logo, pelo menos na França. Dois proeminentes sociólogos franceses, Maurice Halbwachs e Georges Friedmann, estiveram formalment associados com a revista, enquanto um terceiro, Georges Gurvitch, encetou uma colaboração com Braudel, a que não excluía divergências (Braudel, 1953b). No mundo de fala inglesa, por outro lado, foi apenas recentemente, numa época de sentimento generalizado de “crise da sociologia”, que os sociólogos redescobriram a história e, nesse processo, descobriram os Annales, mais particularmente Braudel, cujas idéias sobre o tempo têm uma importância óbvia para os teóricos das mudanças sociais. Como aconteceu com os historiadores, os sociólogos marxistas, como Norman Birnbaum e lmmanuel Wallerstein (Diretor do Centro Fernand Braudel, em Binghamton) estavam entre os primeiros a voltarem sua atenção para os Annales, mas hoje esse interesse está muito mais difundido. O falecido Philip Abrams, por exemplo, descrevia O Mediterrâneo de Braudel como um caminho para “uma efetiva sociologia histórica analítica” (Birnbaum, 1978; Wallerstein, 1974; Abrams, 1982, pp. 333 ss).

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Poucos antropólogos se interessaram, inicialmente, pelos Annales, entre estes estavam, especialmente, Lévi-Strauss e Evans-Pritchard. Braudel e Lévi-Strauss foram colegas na Univer sidade de São Paulo, nos anos 30, e continuaram seu diálogo daí em diante (Lévi-Strauss, 1983). Evans-Pritchard, que se formara historiador antes de ser antropólogo, estava perfeitamente a par dos trabalhos de Lucien Febvre e Marc Bloch[20]. Desconfio de que seu famoso estudo, Witchcraft Oracles and Magic, realizado entre os Azandes da África Central, deve, pelo menos, sua inspiração ao livro de Bloch, Les Rois Thaumaturges, enquanto sua análise do sentido de tempo dos Nuer do Sudão, baseado em suas tarefas, chega a conclusões semelhantes as de Febvre (formuladas quase que ao mesmo tempo) sobre o cálculo do tempo na época de Rabelais (Evans- Pritchard, 1937)[21].

Evans-Pritchard defendia um relacionamento próximo entre antropologia e história, numa época em que a maioria de seus colegas eram funcionalistas a-históricos. Nos anos 60, alguns jovens antropólogos, voltaram-se para a história, mais ou menos ao mesmo tempo em que alguns dos historiadores dos Annales descobriam a antropologia simbólica. As duas ciências pareciam convergir. Contudo, a virada antropológica em direção à história estava associada a uma preocupação em relação à narrativa e aos eventos, os pontos precisos da tradição histórica que o grupo dos Annales havia rejeitado. Havia o perigo de as duas disciplinas desviarem-se uma da outra.

Um exemplo simples demonstrará mais claramente do que uma lista de nomes as condições sob as quais a reunião das duas ciências ocorreu, o que os antropólogos esperavam da história, ou dos Annales

e finalmente como um modelo pode ser transformado no decorrer de sua aplicação. Entre as fontes inspiradoras de Marshall Sahlins, antropólogo histórico do Havaí, está a obra de Braudel, especialmente seu ensaio sobre a longa duração. Sem dúvida, Braudel apreciaria sua discussão sobre as “estruturas de longa duração”, na qual a visita do

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Capitão Cook ao Havaí em 1779, quando foi identificado pelos havaianos como a encarnação de seu deus Lono, é analisada como um exemplo da maneira pela qual os “eventos são ordenados pela cultura”. Sahlins, porém, não parou aí. Foi mais longe, discutindo “como, nesse processo, a cultura é reordenada” (Sahlins, 1981, p. 8.; Conf. Sahlins, 1985). Tendo se apropriado de uma idéia de Braudel, ele a subverte, ou, pelo menos, a transforma, argumentando que um evento, a visita de Cook ou, mais genericamente, o encontro entre havaianos e europeus, produziu transformações estruturais na cultura havaianapor exemplo, a crise do sistema de tabus-mesmo quando “a estrutura era preservada com uma inversão de seus valores”. Seria muito difícil negar a relevância potencial desse modelo revisado para a análise, digamos, das conseqüências socioculturais da Revolução Francesa. Eis que a bola retorna ao campo dos historiadores.

II – UM BALANÇO FINAL

É chegado o momento de fazer e tentar avaliar as contribuições dos historiadores dos Annales durante três gerações, discutindo duas questões em particular. Qual a originalidade e qual o valor de sua nova história?

Como vimos, a revolta de Febvre e Bloch contra o domínio da história dos acontecimentos políticos foi apenas uma de uma série de rebeliões semelhantes (ver acima, p. 17). Seu principal objetivo, a construção de uma nova espécie de história, foi compartilhado por muitos pesquisadores durante um longo período. A tradição francesa, de Michelet e Fustel de Coulanges ao Année Sociologique, Vidal de la Blache e Henri Berr, é bastante conhecida. De outro lado, as tradições alternativas são geralmente subestimadas. Se um clarividente, em 1920, previsse que um novo estilo de história em breve se desenvolveria em algum lugar na Europa, a localização óbvia para que isso acontecesse seria a Alemanha, não a França; a Alemanha de Friedrich Ratzel, Karl Lamprecht e Max Weber.

Virtualmente todas as inovações associadas a Febvre, Bloch, Braudel e Labrousse têm precendentes ou paralelos, dos métodos

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comparativo e regressivo à preocupação com a colaboração interdisciplinar, com métodos quantitativos, com mudanças na longa duração. Nos anos 30, por exemplo, Ernest Labrousse e o historiador alemão Walter Abel estavam trabalhando independentemente na história quantitativa dos ciclos agrícolas, tendências e crises (Abel, 1935)[22]. Na década de 50, o ressurgimento da história regional na França tem um paralelo no ressurgimento da história local na Inglaterra, vinculada à escola de W.G. Hoskins, um discípulo de Tawney, cujos livros incluem um estudo da construção da paisagem inglesa e uma história socioeconômica, na longa duração, quase novecentos anos, de uma vila de Leicestershire, Wigston Magna (Hoskins, 1955,1957). O entusiasmo dos historiadores franceses pelos métodos quantitativos, seu abandono em favor da micro-história e da antropologia, seguiam em paralelo a movimentos existentes nos Estados Unidos e em outras partes do mundo.

Se as inovações individuais relacionadas aos Annales têm precedentes e paralelos, sua combinação, não. Também é verdade que os movimentos paralelos de reforma e renovação da história foram em grande parte insucessos, de Karl Lamprecht, na Alemanha, à “nova história” de J.H. Robinson, nos EUA. As contribuições de Bloch, Febvre, Braudel e seus seguidores foram mais longe do que as de qualquer outro pesquisador ou grupo de pesquisadores na concretização desses objetivos comuns e em liderarem um movimento que se difundiu mais extensamente e por mais tempo do que o de seus competidores. É bem possível que o historiador do futuro tenha condições de oferecer explicações desse sucesso em termos de estrutura e conjuntura, valorizando, por exemplo, o fato de sucessivos governos franceses financiarem a pesquisa histórica, ou a eliminação da competição intelectual alemã, durante as duas guerras mundiais[23]. Difícil é desprezar as contribuições individuais de Bloch, Febvre e Braudel.

Embora este livro seja dedicado a algumas novas tendências historiográficas, não gostaria de pressupor que a inovação é desejável por si mesma. Concordo, com toda a sinceridade, com uma crítica recentemente publicada que afirma que “a nova história não é

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necessariamente admirável simplesmente por ser nova, nem a velha desprezível, por ser velha” (Himmelfarb, 1987, p. 101). É tempo, pois, de considerar, em conclusão, o valor, o custo, e o significado das contribuições coletivas dos Annales.

Fazer isso e como que redigir um obituário. De fato, a imagem não é totalmente inadequada. Embora a École des Hautes Études ainda permaneça e possua historiadores de qualidade, que se identificam com a tradição dos Annales, não seria demasiado dizer-se que o movimento efetivamente acabou. De um lado, encontramos membros do grupo dos Annales redescobrindo a política e mesmo o acontecimento. De outro, vemos tantos pesquisadores de fora inspirados pelo movimento-ou indo na mesma direção por razões próprias-que termos como “escola” e mesmo paradigma estão perdendo o sentido. O movimento está se dissolvendo, em parte, como resultado de seu sucesso.

O movimento pode não ter sido “tudo para todos”, pois foi seguramente interpretado de várias maneiras. Os historiadores tradicionais tenderam a interpretar seus objetivos como a total substituição de uma espécie de história por outra, relegando a história política e, especialmente, a história dos acontecimentos políticos ao ferro-velho. Estou longe de acreditar que essa tenha sido a intenção de Febvre ou Bloch. Inovadores são freqüentemente abrasados pela crença de que o que ainda não foi tentado merece ser tentado, antes do que pela determinação de impô-lo a todos. De qualquer maneira, a história política pode defender-se em sua época. Depois, a situação modificou-se. Braudel sempre se proclamou um pluralista e gostava de afirmar que a história tem “mil faces”, mas foi sob seu domínio que os fundos de pesquisa foram dirigidos para a nova história em prejuízo da velha. Foi o momento dos historiadores políticos serem marginalizados.

Se observarmos os Annales de uma perspectiva global, contudo, é melhor avaliá-lo como um paradigma (ou, talvez, um grupo de paradigmas), mais do que o paradigma da ciência histórica. Talvez seja útil examinar os usos e as limitações desse paradigma em diversas áreas da história, geográfica, cronológica e tematicamente definidas. A contribuição dos Annales pode ter sido profunda, mas foi também profundamente desigual.

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Como vimos anteriormente, à França foi consagrada a maior parte de sua atenção. No rastro de Braudel, um número substancial de estudos foi realizado sobre o mundo mediterrânico, especialmente sobre a Espanha e a Itália (Aymard, Bennassar, Chaunu, Delille, Delumeau, Georgelin, Klapisch, Lapeyre...). A contribuição do grupo à história das Américas espanhola e portuguesa foi também bastante significativa. Poucos escreveram sobre outras partes do mundo. O interesse de Bloch pela história inglesa não foi acompanhado por seus sucessores.

Da mesma maneira que se concentraram sobre a França, os historiadores dos Annales voltaram sua atenção sobre um período, o chamado “início da idade moderna”, de 1500 a 1800, mais especificamente o “antigo regime” na França, que vai de mais ou menos 1600 a 1789. Sua contribuição para os estudos medievais foi também notável. Como já vimos, alguns historiadores da antiguidade foram companheiros de viagem dos Annales.

Por outro lado, o grupo dos Annales deu pouca atenção ao que ocorreu no mundo depois de 1789. Charles Morazé, Maurice Agulhon e Marc Ferro fizeram o possível para preencher a lacuna, mas ela permanece ainda bastante grande. A abordagem diferenciada da história pelo grupo, especialmente a falta de importância atribuída aos indivíduos e aos eventos, está seguramente vinculada ao fato de concentrarem seus estudos nos período medieval e no início da era moderna. Braudel não teve dificuldades em desprezar Felipe II, teria mais problemas em fazer o mesmo com Napoleão, Bismarck ou Stálin.

Para um grupo que navega sob a bandeira da “história tota”, é de alguma maneira paradoxal examinar suas contribuições à luz do que é convencionalmente classificado como história econômica, social, política e cultural. Uma das conquistas do grupo foi subverter as categorias tradicionais e oferecer algumas novas, da “história rural” de Bloch, nos anos 30, e a “civilização material”, da década de 60, à história sociocultural dos dias de hoje. Da mesma forma, é inegável a contribuição oferecida por Labrousse e seus seguidores à história econômica. Como também é difícil negar que a política foi subestimada, por um certo tempo, nos anos 50 e 60, e ao menos por alguns membros do grupo.

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Um outro caminho para se avaliar o movimento dos Annales é analisar suas idéias predominantes. De acordo com um estereótipo comum ao grupo, eles estavam preocupados com a história das estruturas na longa duração, utilizavam métodos quantitativos, diziam-se científicos e negavam a liberdade humana. Mesmo como descrição das obras de Braudel e Labrousse, esta visão é muito simplista, e ainda menos adequada como caracterização de um movimento, que atravessou diversas fases e incluiu um bom número de fortes personalidades intelectuais. Pode ser útil para analisar as tensões intelectuais no interior do movimento. Essas tensões podem ter sido criativas; se foram ou não, é um caso ainda em aberto.

O conflito entre liberdade e determinismo, ou entre estrutura social e ação humana, sempre dividiu os historiadores do grupo. O que distinguia Bloch e Febvre dos marxistas de seu tempo era precisamente o fato de que não combinavam seu entusiasmo pela história social e econômica com crença de que as forças sociais e econômicas tudo determinavam. Febvre era um voluntarista extremo, Bloch, um mais moderado. Na segunda geração, por outro lado, houve um deslisamento em direção ao determinismo, geográfico, no caso de Braudel, econômico, no de Labrousse. Ambos foram acusados de tirar o povo da história e concentrar sua atenção nas estruturas geográficas e nas tendências econômicas. Na terceira geração, no meio de historiadores preocupados com temas tão diversos quanto estratégias matrimoniais ou hábitos de leitura, houve uma volta ao voluntarismo. Os historiadores de mentalidades não mais assumem (como Braudel o fez) que os indivíduos são prisioneiros de sua visão de mundo, mas concentram sua atenção na “resistência” às pressões sociais (Vovelle, 1982).

A tensão entre a sociologia durkheiminiana e a geografia humana de Vidal de la Blache é tão antiga que pode ser considerada como parte integrante da estrutura dos Annales. A tradição durkheiminiana incentivou a generalização e a comparação, enquanto a perspectiva vidaliana concentrou-se no que era único para uma região particular. Os fundadores tentaram mesclar as duas perspectivas, mas suas ênfases eram diferentes. Bloch estava mais próximo de Durkheim; Febvre, apesar de sua preocupação com a história-problema, de Vidal. Na fase intermediária do movimento, foi

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Vidal quem prevaleceu, como as monografias publicadas nos anos 60 e 70 confirmam. Braudel não negligenciou nem a comparação nem a sociologia, contudo estava mais próximo de Vidal do que de Durkheim. Uma razão da atração da antropologia social para os historiadores da terceira geração talvez tenha sido o fato de que essa ciência (que caminha sobre as duas vias, em direção ao geral e ao particular), talvez auxilie os historiadores a encontrarem seu equilíbrio.

Resumindo. Quanto ao que se refere à primeira geração, vale a pena se lembrar o juízo de Braudel: “Individualmente, nem Bloch nem Febvre foi o maior historiador francês do período, mas juntos o eram” (Braudel, 1968a, p. 93). Na segunda geração, é difícil pensar em um historiador da metade do século da mesma categoria de Braudel. Ainda hoje, uma parte significativa do que de mais interessante se faz em trabalhos históricos, é ainda realizada em Paris.

Olhando o movimento como um todo, percebemos uma grande quantidade de livros notáveis aos quais é difícil negar o título de obras primas: Les Rois Thaumaturges, Societé Féodale, Le probléme de lincroyance, Le Méditerranée, Les paysans de Languedoc, Civilisation et Capitalisme. Devemos lembrar também as equipes de pesquisa que foram capazes de levar adiante empreendimentos que demandariam muito tempo a um único indivíduo para levar qualquer deles a bom termo. A longa vida do movimento permitiu que os historiadores se apoiassem, através de suas obras, mutuamente (ou também reagissem contra). Nomear apenas as mais importantes contribuições da história dos Annales significa escrever uma lista por si só impressionante: história-problema, história comparativa, história psicológica, geo-história da longa duração, história serial, antropologia histórica.

Da minha perspectiva, a mais importante contribuição do grupo dos Annales , incluindo-se as três gerações, foi expandir o campo da história por diversas áreas. O grupo ampliou o território da história, abrangendo áreas inesperadas do comportamento humano e a grupos sociais negligenciados pelos historiadores tradicionais. Essas extensões do território histórico estão vinculadas à descoberta de novas fontes e ao desenvolvimento de novos métodos para explorá-las. Estão também associadas à colaboração com outras ciências, ligadas ao estudo da humanidade, da geografia à lingüística, da economia à

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psicologia. Essa colaboração interdisciplinar manteve-se por mais de sessenta anos, um fenômeno sem precedentes na história das ciências sociais.

É por essas razões que o título deste livro se refere à “Revolução Francesa da historiografia”, e que seu prefácio se inicia com estas palavras: “Da produção intelectual, no campo da historiografia, no século XX, uma importante parcela do que existe de mais inovador, notável e significativo, origina-se da França”.

A historiografia jamais será a mesma.


Glossário: A Linguagem dos Annales

Este breve glossário foi elaborado, primeiramente, para servir como uma guia aos leitores não habituados à linguagem dos historiadores dos Annales. As notas históricas, tão acuradas quanto eu as poderia fazer, serão, com toda certeza, corrigidas pelos filólogos no devido tempo.

Conjuntura Na linguagem dos economistas franceses, este vocábulo é a palavra normal para “tendência” (foi utilizada anteriormente por economistas alemães como Ernst Wagemann em seu Konjunkturlehre de 1928, e por historiadores como Wilhelm Abel, em seu estudo Agrarkonjunktur, de 1935). Braudel ajudou a colocar o termo em circulação junto aos historiadores, falando em la conjoncture générale du XVIe siècle (a conjuntura geral do século XVI), em sua aula inaugural em 1950. A palavra implica (como se poderia esperar de sua etimologia, coniungere, associar) um sentido de conexão entre fenômenos diversos, mas simultâneos. Genericamente adotado pelos historiadores dos Annales, contudo, era freqüentemente usado no sentido de complementar oposto à estrutura, para significar, em outras palavras, antes a curta ou média duração do que a longa duração, não implicando conexões colaterais (Chaunu, 1959, 2, 9-13; Burguiére, 1986,152-3).

Civilização O termo mais difícil de definir na trindade dos Annales. Antes de surgir no título da revista em 1946, havia sido empregado por Bloch em seu livro Les caractères originaux de Lhistoire... Era também um termo que tinha os favores do antropólogo Marcel Mauss, logo seguido por Braudel. Em todos esses casos, o melhor talvez fosse traduzir o termo por “cultura”, no sentido antropológico mais amplo. Assim, a civilisation materièlle de Braudel pode ser traduzida por “cultura material”.

Estrutura Febvre emprega o termo “estrutura” ocasionalmente, mas também ele tinha prevenções a seu respeito. Braudel pouco se utilizou do vocábulo em seu Mediterrâneo, no qual o que podemos

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chamar de seções estruturais são descritas como “a parte do meio” e “destinos coletivos”. Parece ter sido Chaunu quem o introduziu, definindo-o como “tudo o que numa sociedade, ou numa economia, tem uma duração suficientemente longa em sua modificação para escapar ao observador comum” (Chaunu,1959,1,12:conf. Burguiére, 1966,644-6).

Etno-história Um falso amigo. O que o mundo de fala inglesa chama de “antropologia” é, usualmente, descrito em francês como etnologia. Conseqüentemente, etno-história significa antes “antropologia histórica” (talvez, fosse mais exato “história antropológica”) do que “etno-história”, no sentido americano de história dos povos nãoletrados.

História episódica (événementielle) Um termo depreciativo para a história dos acontecimentos, lançado por Braudel no prefácio de seu Mediterrâneo, mas utilizado anteriormente, por Paul Lacombe, em 1915 (embora a idéia retroaja a Simiand, Durkheim, e mesmo ao século XVIII).

História global Um ideal formulado por Braudel. “Globalidade não é querer escrever uma história completa do mundo... é simplesmente o desejo, ao nos defrontarmos com um problema, de ir sistematicamente além de seus limites” (Braudel, 1978, p.245). O próprio Braudel estudou o seu mar Mediterrâneo no interior do contexto de um “Mediterrâneo maior”, que la do Saara ao Atlântico. O termo parece ter sido emprestado da sociologia de Georges Gurvitch, Ver história total.

História do Imaginário Um termo recente, empregado por exemplo por Duby (1978) e Corbin (1982), que mais ou menos corresponde à velha história das representações coletivas. O vocábulo antigo tinha vinculações durkheimianas, enquanto o novo, “imaginário”, relaciona-se com tendências neomarxistas. Parece ter se originado de C. Castoriadis, Linstituition imaginaire de la societé (1975), um estudo que é, por sua vez, devedor da famosa definição de ideologia de Althusser, fundamentada na pressuposição de “relação imaginada às reais condições de existência”.

História imóvel Algumas vezes traduzida como “história sem movimento”, ou “história imóvel”, expressão usada por Le Roy Ladurie

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numa conferência sobre o ecossistema do início da França moderna, muito criticada por ter sido ,entendida como uma negação da existência de mudança na história (Le Roy Ladurie, 1978, 1-27). Braudel (1949) já havia falado de uma história quase imóvel, no prefácio de seu Mediterrâneo.

História-problema “uma história orientada por problemas”, um slogan de Lucien Febvre, que pensava que toda história deveria tomar essa forma.

História quantitativa Um outro falso amigo, pois o termo se refere, em francês, não à história quantitativa em geral, mas à história macroeconômica, à história do Produto Nacional Bruto, no passado. Alguns tipos de história quantitativa são conhecidos, na França, como história serial (Burguiére,1986, 557-62).

História serial Um termo empregado por Chaunu em 1960, tendo sido rapidamente apropriado por Braudel e outros, para se referirem às tendências de longa duração, pelo estudo das continuidades e descontinuidades, no interior de séries relativamente homogêneas de dados (preços de cereais, data das safras de vinho, nascimentos anuais, comungantes de Páscoa, etc.) (Conf. Chaunu,1970, 1973; Burguiére, 1986,631-3).

História total Febvre gostava de falar em história simplesmente (histoire tout court) em oposição à história econômica, social ou política. R.H. Tawney, em 1932, empregou o termo histoire integrale, utilizando talvez um modelo francês. O antropólogo Marcel Mauss, porém, gostava de empregar o adjetivo total, com o objetivo de caracterizar o tipo de abordagem de sua ciência. Braudel usou o termo na conclusão da segunda edição de seu Mediterrâneo e em vários outros estudos. (Conf. Devulder,1985) – Ver também história global.

Longa duração Esta frase transformou-se num termo técnico depois que foi utilizado por Braudel em seu famoso artigo (Braudel, 1958). Uma concepção semelhante percorre seu Mediterrâneo, nesse livro, porém, ele escreveu uma história quase imóvel (em lugar de muito longa duração) e uma história lentamente ritmada (para mudanças ocorridas em apenas um século ou dois).

Mentalidade Ainda que Durkheim e Mauss tenham empregado ocasionalmente o termo, foi o livro de Lévi-Bruhl, La mentalité

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primitive (1922), que o lançou na França. Assim mesmo, apesar de ter lido Lévi-Bruhl, Marc Bloch preferiu descrever seu Les Rois Thaumaturges (1924), hoje reconhecido como uma obra pioneira na história das mentalidades, como uma história de representações coletivas (termo preferido por Durkheim), representações mentais, ou mesmo ilusões coletivas. Nos anos 30, Febvre introduziu o vocábulo instrumental intelectual, mas não obteve grande sucesso. Foi Georges Lefebvre, um historiador situado nos limites do grupo dos Annales, que cunhou a frase história das mentalidades coletivas.

História Nova A expressão foi popularizada pelo livro La nouvelle histoire (1978), editado por Jacques le Goff e outros, mas já havia sido reivindicada, anteriormente, para os Annales. Braudel havia falado de uma História Nova em sua aula inaugural no Collège de France (1950). Febvre, por outro lado, usara frases como “uma outra história” para descrever o que o grupo dos Annales tentava fazer.

Instrumental intelectual, ver mentalidade

Psicologia Histórica O termo foi usado por Henri Berr em 1900, ao formular o objetivo de sua recém-fundada Revue de Synthèse Historique. Bloch descrevia Les Rois...(1924) como uma contribuição à psicologia religiosa e alguns de seus últimos ensaios – sobre respostas às mudanças tecnológicas – como contribuições à psicologia coletiva. Febvre defendeu a psicologia histórica num artigo de 1938, publicado na Encyclopédie française, e descreveu seu estudo de Rabelais (1942) da mesma forma. Robert Mandrou subtitulou seu Introduction à la France moderne (1961), baseado em notas deixadas por Febvre, e publicado numa coleção criada por Berr, “ensaio de psicologia histórica”. Mais recentemente, em sua disputa com o termo “mentalidades”, foi o perdedor.


Bibliografia

Esta bibliografia, que reproduz a forma do original, inclui:

i. os livros citados no texto;

ii. uma seleção dos trabalhos dos membros do grupo dos ANNALES;

iii. uma seleção de obras a seus respeito.

Na falta de outra indicação, o local de publicação é Paris.

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FIM DO LIVRO



[1] Sobre os paradigmas dos Annales, ver Soianovich, 1976. Um número especial da revista Review (1978) foi dedicada ao “Impacto da Escola dos Annales nas ciências sociais”. Ver também Gil Pujol, 1983.

[2] Eric Hobsbawm lembra-se de que, quando estudante em Cambridge, foi a uma conferência de Marc Bloch, que foi apresentado aos presentes como o maior medievalista vivo. Review (1978), p. 158.

[3] Haveria necessidade de um estudo sério sobre a imagem dos Annales para dar base a essa generalização.

[4] Uma discussão ampla sobre os Annales na Itália in Aymard, 1978. O primeiro volume da História da Itália da Einaudi, cujos editores foram Braudel e Romano, tinha o nome de Caracteres Originais, uma referência ao título do livro de Bloch Caracteres originais da história rural francesa.

[5] Kula, 1960, comenta o ensaio de Braudel.

[6] As exceções maiores foram Febvre, 1922, 1928, e Bloch, 1931,1939-40,1949.

[7] Maiores detalhes e referências em Burke, 1978.

[8] Pode ser instrutivo comparar os termos usados pelos sociólogos, psicólogos e historiadores ingleses em suas críticas, respectivamente, a Durkheim, Halbwachs e os Annales.

[9] O número especial da Review, 1978, inclui muitos comentários sobre as relações entre os Annales e o marxismo.

[10] Esse livro tem como subtítulo um estufo de “psicologia histórica”. Seu autor presta homenagem não a Febvre, mas ao psicólogo I. Meyerson.

[11] Para uma discussão sobre a importância da abordagem dos Annales em relação à história africana, consultar Clarence-Smith, 1977, e Vansina, 1978.

[12] Alguns jovens historiadores da África estão mais próximos da tradição de Braudel.

[13] Como no caso da África, alguns jovens historiadores da Índia estão ligados à tradição dos Annales.

[14] Conf. Lombard, 1967, um estudo global sobre um pequeno estado. O pai do autor, Maurice Lombard, foi um destacado medievalista associado aos Annales.

[15] O autor é o filho do especialista em estudos clássicos Louis Gernet e sua tese foi orientada por H. Demièvilie, um antigo discípulo de Labrousse.

[16] As referências dizem respeito à edição francesa.

[17] Sobre Turner e Braudel, Andrews, 1978, p. 173. Para uma reação mais ambivalente, consultar Henretta, 1979.

[18] Especialmente Wachtel, 1971; Lafaye, 1974; Mauro, 1963; Murra, 1986, uma coleção de çnsaios dos Annales; Gruzinski, 1988.

[19] Chartier, 1988, p. 57, nota que Foucault era “um leitor atento” da história serial dos anos 50 e 60.

[20] Evans-Pritchard, 1937, cita Febvre e Bloch, p. 48. Cita também Pirenne, Vidal, Granet, Dumézil, Meillet e Saussure.

[21] Compare a passagem sobre a auto-confirmação do caráter da crença no oráculo do veneno (p.194) com a de Bloch sobre o toque real (no texto, p.28). Evans-Pritchard que estudou história medieval antes de ser antropólogo tinha provavelmente lido Bloch.

[22] Esse estudo foi descoberto pelos historiadores somente após a guerra.

[23] Explicações estruturo-conjunturais são oferecidas por Coutau-Bégarie,1983 e Wallerstein, 1988.

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