quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A América Pré-colombiana


A história dos povos americanos não começou com a chegada dos europeus. Quando estes aqui chegaram, encontraram várias sociedades plenamente organizadas. Ao longo dos séculos, entretanto, a ação dos colonizadores acabou por eliminar em grande parte a história desses povos.

Aos olhos dos europeus, os nativos americanos precisavam ser conduzidos ao mesmo padrão de cultura deles, ou seja, ser convertidos ao catolicismo, responder a um rei e ter os mesmos costumes. Assim, os habitantes da América passaram a ser vistos de forma preconceituosa, o que colaborou para a dominação européia no continente.

É importante, ainda, voltar a destacar que esse movimento de expansão dos europeus era motivado, em grande parte, pela busca de riquezas: mercadorias que pudessem ser comercializadas na Europa, sobretudo metais preciosos.

Quando Cristóvão Colombo chegou à América, em 1492, ele acreditava ter desembarcado em terras das Índias. Por isso, chamou de índios àquelas pessoas de línguas e costumes tão diferentes dos europeus.

Por causa das diferenças, muito europeus não acreditavam que os índios fossem seres humanos como eles. Muitos nativos tiveram a mesma reação: não podiam crer que aqueles homens de barbas e armaduras fossem semelhantes a eles.

As Principais civilizações Pré-Colombianas

Conhecidos como povos pré-colombianos, os milhões de índios que viviam na América quando Colombo aqui aportou estavam divididos em mais de 3 mil nações com diferentes culturas.

Até a chegada dos conquistadores europeus a partir do século XV, muitos dos agrupamentos humanos que habitavam a América do Norte, o Caribe, o Brasil e a parte sul do continente mantiveram um tipo de vida bastante simples, fundado na caça, pesca e agricultura rudimentar.

Entretanto, algumas sociedades chegaram a apresentar um elevado grau de sofisticação, produzindo brilhantes civilizações como as dos astecas no México, dos maias na América Central e dos incas no Peru. Estas sociedades realizaram significativos avanços na agricultura, na metalurgia, na escrita, na matemática, na organização política e nas construções urbanas, entre outros, que muito as assemelhavam às primeiras grandes civilizações do Egito e da Mesopotâmia.

A civilização asteca

Os astecas eram um grupo indígena que, por volta de 1200 d. C., chegaram ao fértil vale do México em busca de terras, aproveitando-se das rivalidades existentes entre os grupos que ali habitavam para conquistá-los. Em algumas dezenas de anos, construíram um vasto império, que se estendia do oceano Pacífico ao Atlântico, cuja capital era a exuberante cidade de Tenochtitlán.

Na conquista e consolidação de seu império, os astecas assimilaram as ricas culturas dos povos vencidos, especialmente as dos toltecas e dos olmecas, ao mesmo tempo que passaram a cobrar deles um pesado tributo anual em espécie (comida, ouro, pedras preciosas etc.).

A economia asteca baseava-se principalmente na agricultura. Cultivavam o milho – o principal alimento dos povos do império –, o feijão, a abóbora, a pimenta, o abacate, o algodão e o fumo. O artesanato – especialmente a tecelagem e a ourivesaria – e o comércio astecas eram também bastante desenvolvidos.

A sociedade asteca baseava-se numa hierarquia rígida. No topo da pirâmide social estava o imperador. Abaixo dele, vinha a aristocracia (chefes militares, sacerdotes e altos funcionários públicos), seguida pelos artesãos, comerciantes, camponeses e, por fim, pelos escravos, que geralmente eram prisioneiro de guerra ou pessoas que tinham sido punidas por crimes.

No plano político, o Império Asteca era uma teocracia militar em que o chefe do governo considerado por todos como um ser semidivino, tinha o título de “chefe dos guerreiros” e concentrava enormes poderes em suas mãos. Eleito por um conselho supremo dentre os aristocratas das famílias mais poderosas, o imperador tinha como principal função o comando do exército e era, além disso, o responsável pela política externa.

A religião asteca era politeísta e seus deuses mais cultuados eram o da guerra, o da chuva e a mãe-terra, o que não é de se estanhar numa sociedade que valorizava o comportamento guerreiro e se apoiava na agricultura.

A arte asteca era fortemente influenciada pela religião e suas principais manifestações deram-se no campo da arquitetura e da escultura. A capital asteca possuía jardins erguidos em terraços, ruas retas e largas, aquedutos que forneciam água, templos, oratórios e mercados que maravilharam os espanhóis. A escultura era rica em detalhes e usava a argila, a pedra, o barro cozido, o jade e a madeira.

Os astecas possuíam profundos conhecimentos de astronomia (como se pode concluir por seu calendário, que dividia o ano em 365 dias). A escrita desenvolvida por eles utilizava desenhos para representar pensamentos ou idéias, uma vez que não chegaram a desenvolver um alfabeto.

A civilização maia

A civilização maia floresceu nas planícies da península de Iucatã na região onde hoje situam-se a Guatemala, Honduras e Belize. Dois problemas dificultam um conhecimento maior dessa civilização: a escrita hieroglífica dos maias não está totalmente decifrada e, além disso, muitos dos seus documentos (bem como de outros povos pré-colombianos) foram queimados pelos espanhóis durante a conquista.

A economia maia era basicamente agrícola. Não utilizavam o arado, nem a roda. Cultivavam milho, algodão, cacau, feijão, pimenta, abóbora, mamão e abacate. O milho – principal alimento maia – tinha uma importância muito grande para essa civilização, pois uma de suas lendas dizia que os homens foram criados a partir do milho.

Entre eles havia grandes construtores e talentosos artesãos, que produziam principalmente estatuetas, vasos e tecidos belíssimos.

A sociedade maia era dividida em quatro grandes camadas: a dos militares e dos sacerdotes, cujos cargos eram hereditários, e que constituíam a elite dominante; abaixo deles situava-se a dos trabalhadores livres, agricultores em sua maioria; e, por fim, a dos escravos (prisioneiros de guerra ou condenados pela justiça).

A camada dos sacerdotes era a única que possuía o domínio da escrita e do saber científico, o que lhes permitia, por exemplo, organizar um calendário agrícola e, por meio dele, determinar o tempo de adubar, plantar e colher.

Politicamente, os maias nunca chegaram a formar um império. Cada cidade, como Palenque, Copán ou Tical, por exemplo, era um Estado independente. Daí se dizer que, assim como os antigos gregos, os maias também estavam organizadas em cidades-Estados. Eram governados por um imperador considerado semidivino, que, ao morrer, passava o cargo para o parente mais próximo. Ou seja, o governo maia era uma teocracia de caráter hereditário.

A religião influenciou fortemente diversos aspectos da vida e da produção dos maias. A arquitetura, por exemplo, era marcadamente religiosa, como se pode concluir observando as ruínas dos templos construídos sobre pirâmides monumentais, que serviam de palco para rituais religiosos. A escultura e a pintura também revelavam a importância dos deuses, os “senhores do destino”.

A partir do ano 900, verificou-se uma dispersão paulatina da população maia, que, na época, era formada por 15 milhões de pessoas, aproximadamente. Aos poucos os maias abandonaram os grandes centros em que viviam e mesclaram-se com outros grupos.

Conforme estudos recentes, esse processo deveu-se principalmente ao esgotamento dos solos férteis.

A brilhante civilização maia sobreviveu até o início do século XVI, quando foi quase totalmente destruída pelos espanhóis.

O Império Inca

Os incas, um grupo da nação quíchua, eram originários da alta floresta Amazônica. Por volta de 1200, chegaram ao altiplano peruano, instalando-se nas imediações da cidade de Cuzco.

A partir de então, apoiados numa sólida formação guerreira, os incas tomaram Cuzco e, aos poucos, impuseram o seu domínio aos vários povos andinos. Com isso, constituíram um império imenso, que abrangia parte do território onde é hoje o Peru, o Equador, a Bolívia e uma parte do Chile.

O Império Inca, cuja capital era Cuzco, possuía cerca de 16 mil quilômetros de estradas bem-construídas, que possibilitavam rápido trânsito das informações utilizadas pelo governo para manter um minucioso e rígido controle sobre a população. A economia inca era essencialmente agrícola. Plantavam dezenas de variedades, especialmente o milho, o feijão e a batata, valendo-se de um complexo sistema de irrigação composto por canais e grandes represas.

No Império Inca não havia propriedade privada da terra. Esta pertencia ao Estado, que concedia às comunidades aldeãs (ayllus) o direito de ocupar parte delas e de usufruir de sua produção.

Além das terras concedidas aos ayllus havia ainda as terras do Inca (Imperador) cuja função era sustentar as famílias de linhagem real; as terras do Sol, que serviam para alimentar os sacerdotes; e as dos curacas (administradores dos ayllus nomeados pelo governo). Todas essas terras eram trabalhadas coletivamente pelos membros dos ayllus, que nada recebiam em troca. Eles eram obrigados, ainda, a realizar serviços gratuitos para o Estado, tais como construir e reparar estradas, templos, canais de irrigação e represas. Essa obrigação chamava-se mita.

A sociedade inca obedecia a uma divisão rígida. A nobreza era formada pelo Inca e seus números parentes. Dessa elite saíam os comandantes do exército, os sacerdotes e os altos funcionários públicos.

A camada média era formada por artesãos profissionais (tapeceiros, ceramistas, ourives), soldados, contabilistas, projetistas e médicos. Eles habitavam as cidades e recebiam do Estado aquilo de que necessitavam para viver.

A grande maioria da população era composta por milhares de camponeses pertencentes às comunidades aldeãs. Com seu trabalho os camponeses sustentavam a nobreza guerreira, sacerdotal e administrativa do império.

Politicamente, o império era teocrático e autoritário. O imperador, conhecido como Inca ou filho do sol, era considerado como um ser semidivino e, como tal, era adorado, reverenciado e obedecido por todos. Possuía enormes poderes e privilégios, e o seu cargo era hereditário.

Abaixo do Inca havia um numeroso corpo de funcionários, militares, religiosos e civis, que zelava pela segurança e rigorosa administração do império. Cada ayllu era governado por um curaca, representante do imperador, cuja própria função era exigir as famílias camponesas a realizações de serviços obrigatórios para o Estado.

A religião dos incas era politeísta, e a divindade mais cultuada por eles era o Sol, de quem julgavam ser descendentes. Por acreditar na vida além da morte, os incas, assim como os antigos egípcios, preocuparam-se em mumificar seus soberanos.

A arquitetura dos incas era notável, como se pode notar ainda hoje pelas ruínas de Machu Picchu, cidade construída numa região quase inacessível, a 2500m de altitude.

Os incas não conheciam a escrita, mas possuíam um interessante sistema de registro: o kipu.

O kipu era um cordão no qual estavam amarrados conjuntos de cordões menores de cores e tamanho variados, onde se faziam diferentes tipos de nós.

As cores e os agrupamentos de cordõezinhos permitiam identificar as categorias dos objetos. Os nós identificam as categorias dos objetos. Os nós indicavam números e datas. Por exemplo, o nó mais próximo da ponta do cordãozinho correspondia à unidade, o que se seguia Referia-se às dezenas, e assim sucessivamente. Por meio do kipu, os funcionários imperiais conseguiam informações sobre a economia, administração e a população do vasto império.

As civilizações inca, asteca e maia, bem como muitas outras culturas pré-colombianas, com seus modos de existência e conhecimentos variados, foram praticamente destruídas pelos europeus durante o processo de conquista da América. Além disso nesse processo, foram mortos milhões de ameríndios.

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