quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Civilização Muçulmana


Enquanto o Império Romano do Oriente lutava para manter vivas a cultura e as tradições helenísticas, um povo de pastores semitas mudava o curso da História.

Mobilizados pelo profeta Maomé, entraram em choque com a civilização bizantina e com os novos reinos da Europa ocidental. Os muçulmanos construíram a civilização mais brilhante da Idade Média, assimilando o patrimônio cultural dos povos do Oriente Médio e do Extremo Oriente. Atualmente, o islamismo conta com milhões de seguidores em todo o mundo.

A península dos árabes

A Arábia é um imenso deserto de pedras e areia. Seus escassos habitantes se fixaram na costa do mar Vermelho e nos oásis do interior. A península Arábica era habitada por tribos de beduínos semitas, da mesma origem dos judeus, fenícios e assírios.

Os beduínos da Arábia eram pastores de rebanhos de cabras e camelos. Sua principal atividade era o comércio entre os oásis do interior e o litoral. Nas aldeias, tais como Meca e Latribe, cultivavam a terra.

Islão

A história da Arábia costuma ser dividida em duas grandes fases:

· Arábia pré-islâmica – período anterior à fundação do islamismo.

· Arábia islâmica – período caracterizado pelo islamismo.

Arábia pré-islâmica

Viviam na penisula Arábica diversos povos semitas, destacando-se os:

· Árabes beduínos – povos seminômades que vagavam pelos desertos. Organizados em tribos, dedicavam-se á criação de animais (ovelhas, cabras, camelos);

· Árabes urbanos – povos sedentários que habitavam as cidades próximas ao litoral. Dedicavam-se sobretudo ao comércio, sendo responsáveis pelas caravanas de camelos que transportavam produtos do Oriente para as regiões do mar Mediterrâneo.

Até o século VII, os árabes não eram politicamente unidos, isto é, não formavam um estado. Mas tinham elementos comuns, como o idioma árabe e as crenças religiosas. Eram politeísta e adoravam cerca de 360 divindades.

Numa tentativa de dar maior unidade às diversas tribos árabes, foi construído na cidade de Meca um templo religioso, a Caaba (‘casa de Deus’), que reunia as principais divindade de toda a Arábia. Na Caaba encontra-se a pedra negra (pedaço de meteorito), que acreditam ter sido trazida do céu pelo anjo Gabriel.

Devido ao templo, Meca tornou-se o centro religioso e comercial dos árabes, pois a cidade transformou-se em ponto de encontro de pessoas e mercadorias de diversas regiões.

Arábia islâmica

Maomé (570 – 632) foi o fundador do islamismo, religião monoteísta, também chamada de religião muçulmana ou maometana.

Em suas pregações religiosas, Maomé dizia que todos os ídolos da Caaba deviam ser destruídos, pois havia um único Deus criador do universo. Isso provocou a reação dos sacerdotes de Meca, que eram politeístas e tinham interesses em manter a cidade como centro religioso e comercial dos árabes.

Devido a suas pregações, Maomé foi obrigado a fugir de Meca para Yathrib (posteriormente denominada Medina, ‘a cidade do profeta’), em 622. esse episódio, conhecido como hégira, marca o inicio do calendário muçulmano.

Aos poucos, Maomé conseguiu difundir sua religião em Medina e organizar um exercito de seguidores que, em 630, conquistou Meca e destruiu os ídolos da Caaba.

A Caaba foi transformada num centro de orações, e a crença politeísta foi proibida.

A partir daí, Maomé expandiu o islamismo por toda a Arábia, unificando as diversas tribos em torno da religião. Assim, através da identidade religiosa, criou os árabes uma nova organização política e social.

Doutrina islâmica

A submissão a Alá

O Islamismo prega a submissão total do homem a vontade de Alá, o Deus único, criador de todo universo. Essa submissão é chamada de Islão, e aquele é denominado muçulmano (do árabe muslim).

Os princípios básicos do Islamismo estão contidos nas seguintes regras fundamentais:

· Crer em Alá, o Deus único, e em Maomé, o seu grande profeta.

· Fazer cinco orações diárias.

· Ser generoso para com os pobres e dar esmolas.

· Cumprir o jejum religioso durante o Ramadã (mês do jejum).

· Ir em peregrinação a Meca, pelo menos uma vez na vida.

Alcorão

As revelações feitas por Alá a Maomé foram reunidas por seus discípulos no livro sagrado Alcorão (‘ a leitura’).

Além de orientações puramente religiosas, o alcorão que contribue para a preservação da ordem social e dos interesses dos grandes comerciantes. Proíbe, por exemplo, que os fieis comam carne de porco, consumam bebida alcoólica, pratiquem jogos de azar. O roubo é severamente punido. A poligamia e a escravidão são permitidas.

Maomé

Maomé nasceu em Meca em 570. Era pastor e cuidava de caravanas de camelos. A tradição conta que Maomé recebeu uma revelação do arcanjo Gabriel, segundo a qual Alá o escolhera para pregar a mensagem de salvação entre seus irmãos árabes: o Islã, que significa a “submissão à vontade divina”.

Os ensinamentos de Maomé fortaleceram os laços familiares entre os árabes. A mulher deixou de ser escrava para tornar-se companheira. A poligamia, o costume de manter muitas mulheres, teve seu limite fixado em quatro esposas.

O império muçulmano

Com a morte do profeta, seu sogro, Abu-Beker, se proclama califa, palavra que significa sucessor, e governa em nome do profeta. O califa era um misto de chefe político e religioso. Tinha como missão preparar os árabes para a conquistada Terra. Abu-Beker foi sucedido pelo califa Omar. Durante seu governo de onze anos, deu-se o início da expansão muçulmana. Guerreiros do Islã atacaram a Pérsia e o Império Bizantino, ambos debilitados por lutas internas. Em pouco tempo, graças ao progresso militar atingido pelos muçulmanos, conseguiram dominar extensos territórios e controlar o comércio do Mediterrâneo. A Pérsia se rendeu após dez anos de luta. O Império Bizantino perdeu a Síria para os árabes.

No Egito, Alexandria resistiu ao cerco árabe durante dois anos. Depois, foi incendiada, junto com sua famosa biblioteca. Os muçulmanos construíram uma nova capital no Cairo. Guerreiros muçulmanos conquistaram o norte da África, Líbia e Trípoli, chegando até o local da cidade de Cartago.

Com a morte de Omar, o califa Ali continuou onquistando mais territórios. Mas, em pouco tempo, surgiram as primeiras disputas internas pelo poder, ocasionando uma guerra civil. A partir desse momento, duas dinastias governaram o império muçulmano:

· a dinastia dos Omeíadas, fundada pelo califa Muhawiya;

· a dinastia dos Abássidas, fundada pelos descendentes de Abas, tio de Maomé.

Os omeíadas: o império árabe

A dinastia dos Omeíadas governou o mundo árabe durante aproximadamente cem anos. Sob os omeíadas, deu-se a expansão territorial. Os califas abandonaram Meca e fixaram a capital do império em Damasco, na Síria, ocupando-se unicamente de questões políticas. Durante esse período, os exércitos muçulmanos conquistaram o Turquestão, o Cáucaso, a Armênia e chegaram até a Índia.

No norte da África, conquistaram Túnis, Argélia, Marrocos e chegaram até o oceano Atlântico. A partir daí, atravessaram o estreito de Gibraltar e tentaram tomar a península Ibérica e a França. Em 711, iniciaram a conquista da Espanha visigoda. Atravessaram os Pireneus e começaram a conquista da França. Em 732, após terem conquistado um terço do território da França, Carlos Martel os deteve em Poitiers. Os muçulmanos retrocederam até os Pirineus, mas permaneceram na Espanha até o século XV, quando foram expulsos pelos reis cristãos.

Os abássidas: esplendor e decadência

Em 750, uma revolta interna derrubou a dinastia dos Omeíadas. Os vencedores dessa revolta, descendentes de Abas, tio de Maomé, mudaram a capital do império para a Mesopotâmia, onde fundaram Bagdá. Os novos califas continuaram a expansão territorial e incentivaram o desenvolvimento científico e artístico. O apogeu dessa dinastia ocorreu durante o reinado de Harun al-Rachid (780-810): o império muçulmano se estendeu desde a Espanha até a China.

Durante esse período ocorreu a ruptura da unidade do mundo árabe sonhada por Maomé:

· em 760, os árabes da Espanha declaram independência;

· em 968, os árabes do Egito tornam-se independentes.

O império foi dividido em três califados. Em Bagdá, os califas se cercaram de guardas mongóis que, aos poucos, tornaram-se os verdadeiros governantes.

Os turcos

Os turcos eram tribos asiáticas que vieram da Mongólia, assim como os hunos, os búlgaros e os húngaros. Após séculos de luta contra o império chinês, dirigiram-se para a Europa e fixaram-se nas margens do mar Cáspio. Lá, entraram em contato com os árabes da Pérsia e logo se converteram ao islamismo. A partir de então, tornaram-se guerreiros de Alá e cuidaram da guarda pessoal do califa.

Em 1055, uma das tribos turcas mais importantes, a dos seljúcidas, tomou Bagdá e substituiu o califa pelo seu sultão. Os turcos conseguiram submeter todos os povos árabes da Ásia e da África, tornando-se um perigo para os reinos cristãos da Europa.

A cultura muçulmana

Os muçulmanos não criaram uma cultura original, mas assimilaram aquilo que de melhor havia no imenso império que conquistaram em tão pouco tempo. Sua civilização deixou marcas de tolerância cultural e de uma fantasia sem limites.

A organização do império muçulmano

Os árabes foram muito tolerantes com os povos conquistados durante a Guerra Santa: permitiram que conservassem sua religião, seus costumes e a administração de seus territórios em troca de um tributo. Por outro lado, mostravam-se cruéis com aqueles que abusavam dessa benevolência.

O califa era o chefe supremo, civil, político e religioso. Os califas governavam a partir das capitais do mundo árabe: Bagdá, Cairo e Córdoba. Nos territórios conquistados, o emir exercia o poder absoluto em nome do califa. As principais tarefas de governo eram desempenhadas pelos vizires, ou ministros, e os xeques, os chefes das tribos.

A economia do mundo muçulmano

O contraste entre a Europa empobrecida do início da Idade Média e a prosperidade do mundo muçulmano era gritante. Os árabes dominaram as grandes rotas comerciais e tornaram-se os maiores intermediários entre o Oriente e o Ocidente.

As ciências e as letras

Os árabes difundiram na Europa inventos chineses, tais como o papel, a bússola, a pólvora e o cultivo do arroz e do algodão. Introduziram o cultivo da cana-de-açúcar nas ilhas de Chipre e na Sicília. Foram grandes fabricantes de tecidos, tapetes, jóias, cerâmicas e vidro. E também:

· dedicaram-se à química, fabricando remédios, drogas, perfumes e tinturas;

· desenvolveram a cartografia e a astronomia;

· no campo da matemática, desenvolveram a álgebra e a trigonometria.

· Introduziram na Europa as obras de Arquimedes e Euclides, e os números arábicos que trouxeram da Índia;

· a literatura dos árabes é uma das mais ricas e fascinantes da História. Suas lendas e contos são apreciados ainda hoje. Os mais populares são A lâmpada de Aladim, As mil e uma noites e Sinbad, o marujo;

· no campo da filosofia, destacaram-se pela tradução das obras de Platão e Aristóteles, que chegaram à Europa medieval levadas por eles;

· sua medicina foi a mais avançada da Idade Média: criaram as primeiras clínicas e escolas médicas. Seus farmacêuticos e médicos desfrutavam fama mundial.

As artes

O Alcorão proibia a representação de figuras humanas. A civilização muçulmana produziu uma arquitetura admirável que introduziu novos elementos, tais como o uso do arco com ornamentos geométricos, o arabesco, presente em mesquitas e palácios.

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