quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A Conquista e Colonização da América pelos europeus


Os europeus só conheceram a América em fins do século XV. Porém, muito antes disso, as terras desse continente já eram habitadas por pessoas que constituíam grupos sociais com modos de vida diferentes entre si.

A chegada dos europeus provocou uma série de mudanças na vida dos povos da América, muitos aos quais foram explorados, escravizados ou simplesmente dizimados.

1. A conquista espanhola

A Espanha foi o primeiro Estado europeu a se empenhar na ocupação e exploração das terras americanas. A conquista espanhola da América, cuja população era muito superior ao número dos conquistadores, só foi possível graças à superioridade bélica. As armas de fogo, os equipamentos de ataque e defesa, a utilização do cavalo, animal desconhecidos em terras americanas, deram aos espanhóis as condições de subjugar os povos nativos.

Todo esse equipamento bélico era desconhecido dos ameríndios, que combatiam quase desnudos e utilizavam basicamente arcos, flechas envenenadas e lanças.

Conforme testemunho do escritor frei Bartolomeu de Las Casas, a conquista começou pela ocupação da ilha Hispaniola (atuais Haiti e São Domingos) e de Cuba, realizadas ainda durante as viagens de Colombo à América.

Aos poucos os espanhóis saquearam todo o ouro encontrado nessas ilhas e exterminaram a grande maioria de seus habitantes. Principalmente por causa desse genocídio, não há mais descendentes dos indígenas que habitavam aquela região antes da chegada de Colombo.

Depois, dando prosseguimento à conquista, lançaram-se com fúria desmedida sobre os territórios ocupados pelas civilizações pré-colombianas do continente.

Em 1519, o nobre espanhol Fernão Cortez, acompanhado de 500 soldados, desembarcou nas costas do México e tomou Tenochtitlán, a capital do Império Asteca.

Em 1533, o aventureiro espanhol Francisco Pizzarro e seus 180 soldados conseguiram-se apoderar-se de Cuzco, a magnífica capital do Império Inca.

A economia colonial

Logo nas primeiras décadas do século XVI os espanhóis lançaram-se à exploração das riquezas minerais americanas e, por mais de cem anos, a mineração foi a principal atividade econômica da América espanhola.

A extração de ouro e especialmente a exploração da prata nas ricas minas de Patosi (atual Bolívia) e Zacatecas (atual México enriqueceram a Espanha rapidamente, elevando-a à condição de maior potência mundial do século XVI.

A mineração estimulou também a prática da agricultura, da pecuária e da tecelagem em diversas regiões do território hispano-americano. Essas regiões, como o norte da Argentina, por exemplo, passaram a produzir gêneros agrícolas, animais de tração e panos grosseiros para abastecerem as áreas de mineração.

Durante o século XVII, com o esgotamento das jazidas, a exploração do ouro e da prata decaiu. Com isso, as regiões dedicadas à agricultura e à pecuária tornaram-se mais dependentes das vendas para o mercado externo.

O declínio da mineração concorreu também para o aumento do número de plantations, isto é, das grandes propriedades produtoras de gêneros tropicais como o cacau (Venezuela), açúcar e tabaco (Antilhas), destinados à venda em larga escala para o mercado externo. Nessas propriedades, a mão-de-obra mais numerosa era de escravos negros, que passaram a ser trazidos da África em grandes quantidades a partir de meados do século XVII.

A mão-de-obra

A mão-de-obra mais utilizadas pela empresa colonial espanhola no continente americano sempre foi a do indígena. Desde o começo da colonização, os espanhóis foram autorizados pelos reis a forçarem o indígena a trabalhar para eles nas mais diferentes ocupações.

O trabalho forçado do indígena era regulamentado pela encomienda e pela mita.

Originária da Espanha e introduzida na América por Colombo, a encomienda era o direito que o rei concedia ao colono espanhol (o encomendero) de fazer com que um certo número de indígenas (os encomendados) trabalhassem para ele. Em troca, o encomendero tinha o dever de ensinar o cristianismo e cuidar da subsistência do encomendados. Milhares de índios encomendados, porém, morreram por falta de assistência material e sem nenhum conhecimento da religião cristã.

Amplamente utilizada no Império Inca, a mita foi aproveitada pelos colonizadores espanhóis, pois atendia perfeitamente aos seus interesses mercantilistas. Mas, é claro, adquiriu outro significado.

A mita era o direito que os colonos espanhóis se davam de arrancar os indígenas de suas comunidades e forçá-los a trabalhar nas minas por um determinado tempo. Em troca, tais trabalhadores, conhecidos como mitayos, recebiam o equivalente à metade ou a um terço do salário do trabalhador livre.

A encomienda, a mita, as péssimas condições de trabalho no campo e nas minas, as doenças trazidas pelo europeu (varíola, tuberculose, sarampo, tifo, malária e gripe, entre outras) e a guerra foram os principais fatores responsáveis pela eliminação física de milhões de indígenas na América espanhola.

Embora um setor da Igreja Católica, tendo a frente o corajoso frei Bartolomeu de Las Casas, tenha conseguido a aprovação de uma lei proibindo a encomienda, o trabalho forçado do indígena continuou sendo largamente utilizado pela empresa colonial espanhola até o século XIX.

A sociedade

A sociedade colonial hispano-americana era formada basicamente por uma minoria de brancos, que concentrava grande soma de poder e riqueza, e uma grande maioria de não-brancos, composta de índios, negros e mestiços, submetidos a um regime de trabalho forçado e obrigatório ou recebendo baixíssimos salários.

Nessa sociedade havia uma estreita relação entre cor, origem e posição social.

Os chapetones eram os colonos brancos nascidos na Espanha. Ocupavam os mais altos cargos administrativos, políticos, religiosos e militares existentes na sociedade colonial.

Os criollos eram os filhos de espanhóis nascidos na América. Essa camada social era formada por grandes proprietários de terras e por ricos arrendatários de minas. Apesar disso, aos criollos estavam reservados os cargos administrativos, políticos, religiosos e militares, inferiores aos dos chapetones.

Os mestiços eram em sua maioria descendentes e brancos e índios e trabalhavam quase sempre, como comerciantes, artesãos e capatazes.

Os indígenas constituíam a maior parcela da população colonial. Com a chegada dos espanhóis, muitos deles foram sendo destribalizados e incorporados à sociedade hispano-americana para realizar os piores serviços em troca dos mais baixos salários.

Os negros, na condição de escravos, foram trazidos da África principalmente para trabalhar nas regiões que adotaram a plantation, como São Domingos, Haiti, Cuba e Jamaica.

A administração

Nas primeiras décadas da conquista, a coroa espanhola decidiu entregar a particulares – os adelantados – a administração dos territórios americanos pertencentes à Espanha. Os adelantados eram, geralmente, homens como Cortez e Pizzarro, que, por terem encabeçado expedições de conquista, receberam o direito de administrar com grande autonomia os territórios por eles conquistados.

Entretanto, à medida que os espanhóis foram conquistando novos territórios e descobrindo metais preciosos na América, o governo da Espanha foi diminuindo os poderes dos adelantados e criando órgãos governamentais para cuidar da administração colonial.

O mais importante desses órgãos foi criado pelo governo espanhol em 1524 e se chamava Conselho das Índias. Além de elaborar leis e nomear funcionários reais para as colônias, o Conselho das Índias estava autorizado a decidir sobre todas as questões coloniais de ordem militar, jurídica ou eclesiástica.

Para facilitar a administração de seu vasto império, a Espanha subdividiu-o em quatro vice-reinos: Nova Espanha (México e América Central), Nova Granada (Colômbia, Equador e Venezuela, Peru (Peru e parte da Bolívia) e Prata (Argentina, Uruguai, Paraguai e a parte restante da Bolívia).

Além dos vice-reinados, a metrópole criou quatro outras unidades administrativas, chamadas de capitanias-gerais: Cuba, Guatemala, Venezuela e Chile. Situadas em áreas estratégicas, essas capitanias estavam encarregadas de defender as colônias de possíveis ataques estrangeiros.

Os vice-reis, principais encarregados da administração colonial, tinha autonomia relativa, sendo, frequentemente, fiscalizados pelo poder central. Nas principais cidades coloniais criaram-se câmaras municipais conhecidas pelo nome de cabildos. Estas câmaras eram formadas por fazendeiros e mineradores ricos, autorizados a decidir sobre questões relativas à administração local.

2. A Colonização Inglesa

Enquanto os espanhóis concentraram seus esforços colonizadores nas regiões auríferas da América Central e do Sul, os ingleses ocuparam a América do Norte a partir de 1584, sob o reinado da rainha Elizabeth I. Nesse ano, Walter Raleigh fundava a colônia da Virgínia.

Contudo, foi só no século XVII que a colonização inglesa da América do Norte recebeu o impulso de que precisava, especialmente das companhias de comércio britânicas (Companhia de Londres e Companhia de Plymouth, por exemplo), que favoreceram a constituição de novas colônias em terras americanas.

A colonização nas treze colônias inglesas iniciais tem algumas peculiaridades, se comparadas às colonizações espanhola e portuguesa. Podemos, por exemplo, identificar características colonizadoras diferentes em diversas regiões da colônia.

Na região Sul, a colonização baseou-se no latifúndio monocultor e escravista (plantation), cuja produção destina-se à exportação. Na região Norte e Centro, a ocupação foi realizada principalmente por pessoas perseguidas ou que fugiam dos conflitos políticos e/ou religiosos. Por isso, desenvolveram-se atividades destinadas à sobrevivência das comunidades, como as manufaturas, o comércio é a agricultura baseada na pequena propriedade e na variedade de produtos. Chama-se este tipo de ocupação de colônia de povoamento.

3. A Colonização Francesa e a Holandesa

Os franceses e holandeses, desejosos de usufruir do vantajoso comércio colonial, criaram, no século XVII, companhias de comércio, cujo objetivo era estimular a ocupação de terras americanas.

Os franceses ocuparam a região que hoje corresponde ao nordeste do território canadense, fundando, em1608, a cidade de Quebec. Posteriormente, ocuparam a foz do rio Mississipi, fundando ali a colônia da Louisiana.

Além de se estabelecerem no Canadá e na Louisiana, os franceses fundaram colônias em algumas ilhas da América Central. Nessa parte do continente, ocuparam a Martinica, Guadalupe, Tobago e a porção ocidental da ilha de São Domingos (atual Haiti), além de várias outras ilhas. Na América do Sul, ocuparam uma das Guianas e lá fundaram a cidade de Caiena.

Interessados no domínio colonial americano, os holandeses fundaram, em 1623, um povoado chamado Nova Amsterdã que mais tarde passou ao domínio inglês, transformando-se na cidade de Nova Yorque. Tal como os franceses, os holandeses fundaram colônias nas Antilhas e na região das Guianas, na América do Sul.

Os holandeses, através da atuação da Companhia de Comércio das Índias Orientais e da Companhia de Comércio das Índias Ocidentais, conseguiram monopolizar grande parte de transporte e mercado europeu dos gêneros coloniais, tornando-se, já no século XVII, numa nação rica e poderosa, assumindo a liderança marítimo-comercial da Europa.

Essa liderança estendeu-se até a metade do século XVII, quando a Holanda foi vencida em guerra travada contra a Inglaterra. Depois de vencer a guerra, a Inglaterra passou a ser a nação hegemônica, a “Rainha dos Mares”.

Enfraquecida pela derrota diante da Inglaterra, a Holanda perdeu grande parte de suas possessões. Na América.