quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A cultura medieval

A Idade Média foi chamada pelos renascentistas de Idade das Trevas. Esse nome surgiu porque eles consideravam que naquele período da história européia as artes e o conhecimento pouco teriam se desenvolvido. Mas será que o mundo medieval foi mesmo época de trevas, ignorância e escuridão?
Na verdade, os renascentistas desejavam salientar a diferença entre o momento em que viviam e o período anterior que, segundo eles, era dominado pela religião. Tudo era explicado pelos dogmas da Igreja católica, tudo ocorria conforme a vontade de Deus. Os renascentistas não desacreditavam na existência de Deus, mas desejavam colocar o ser humano no centro das artes e do conhecimento.
Essa idéia representou uma verdadeira revolução. Inspirados na cultura de gregos e romanos, os renascentistas começaram a observar e a compreender os seres humanos e os fenômenos naturais de uma forma diferente.

A produção cultural na Idade Média
A partir dos séculos IV e V, como vimos, o Império Romano do Ocidente começou a se desestruturar. Crise econômica, dificuldades em manter as fronteiras e a invasão de povos inimigos, sobretudo de origem germânica, eram alguns dos problemas enfrentados pelos romanos.
Esse cenário contribuiu para uma transformação radical na vida cultural dos povos europeus. Com o tempo, os costumes romanos e germânicos se misturaram, dando origem ao mundo feudal. Nele, os mosteiros e as abadiastornaram-se um dos principais centros de produção cultural.
Além da produção teológica, essas instituições contribuíram para conservar a cultura da Antiguidade por meio do trabalho dos monges copistas, que passavam longo tempo reproduzindo manuscritos antigos.
Na Idade Média, assim como na Antiguidade, eram poucas as pessoas que sabiam ler e escrever. A maioria da leitura era feita em voz alta para um grupo de ouvintes, como nas missas. Por isso, os textos eram todos preparados para serem lidos em público, com imagens fortes e teatralizadas.
As pessoas mais instruidaspertenciam à Igreja, que controlava grande parte das atividades artísticas, literárias e intelectuais da época. O controle da leitura e da escrita era uma forma de a Igreja manter seu poder e de impedir que as pessoas pensassem diferentemente de seus dogmas.

2. A produção literária
A maior parte da literatura foi escrita em latim e tratava de temas religiosos. O principal objetivo dessa produção era comprovar a existência de Deus e da alma.
Nessa época, o universo era compreendido dentro de uma hierarquia de seres. No topo dessa hierarquia estava Deus, seguido pelos arcanjos, anjos, chegando até os seres humanos, os animais, os vegetais e os minerais. A concepção de um universo hierarquizado foi importante para justificar a ordem social existente, na qual os reis deviam obediência à Igreja, os servos aos senhores, etc.
As idéias dos filósofos gregos Platão e Aristóteles foram as que mais influenciaram o pensamento medieval. A obra dos gregos soma-se as de Santo Agostinho e de Santo Tomás de Aquino. Ensinado nas universidades, que surgiram a partir do século XII, esse conjunto de idéias ficou conhecido como Escolástica.
Por volta do século XII, começaria a surgir uma literatura não mais voltada apenas para a compreensão do universo cristão. Ela não seria escrita exclusivamente em latim, mas também na língua própria de cada região. Por exemplo, poemas narrando feitos heróicos sobre as batalhas de Carlos Magno foram escritos no idioma falado no norte de seu império.
Na península Itálica, no final do século XIII e início do século XIV, destacou-se o poeta Dante Alighieri, considerado o fundador da literatura italiana.
O conhecimento na Idade Média
Na Idade Média, a maior parte dos estudos estava ligada à teologia. Os clérigos, os principais estudiosos, não tinham praticamente nenhum interesse pelo conhecimento da natureza. “Discutir a natureza e a posição da Terra”, disse Santo Agostinho, não nos auxilia em nossa esperança de vida futura. Interessava conhecer o mundo de Deus, já que a vida na terra era apenas um momento passageiro.
A vida intelectual concentrava-se nos mosteiros e o estudo do universo cristão permaneceu mais importante do que o estudo das ciências naturais.
3. As artes
A arte medieval também era essencialmente religiosa. No campo das artes, destaca-se a arquitetura, com a construção de templos, igrejas, mosteiros e palácios.
Na arquitetura da Idade Média, predominaram dois estilos: o românico e o gótico.
As construções em estilo românico (século X, XI e XII) caracterizam-se pelos arcos redondos, paredes baixas e grossas, grandes colunas, janelas pequenas e interior pouco iluminado.
As construções em estilo gótico (final do século XII ao século XV) caracterizam-se pelos arcos em formato ogival, janelas maiores e mais numerosas, paredes altas e interior iluminado.
As janelas eram ornamentadas com belíssimos vitrais. Estes eram formados por pequenas placas de vidro colorido, unidas por chumbo, formando desenhos e mosaicos.
Na pintura, destacam-se as miniaturas ou iluminuras, feitas para ilustrar os manuscritos e os murais.
Os murais eram pinturas feitas nas paredes, geralmente retratando figuras religiosas.
Na escultura, utilizava-se o metal, o marfim e a pedra. Um grande número de imagens decorava o interior do templos.
A maior parte das obras de arte da Idade média não tem auroria definida. Isso porque, de acordo com o alto clero medieval, o verdadeiro autor era Deus, que por meio dos seres humanos, expressava suas vontades.

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