sábado, 8 de novembro de 2008

A descolonização e os conflitos regionais


O processo de descolonização da Ásia e da África ganhou um grande impulso após a Segunda Guerra Mundial, em parte devido ao declínio internacional de potências coloniais como a França e a Grã-Bretanha, em parte devido ao crescimento de movimentos de libertação nacional dentro das próprias colônias. Entre as inúmeras razões que contribuíram para o processo de descolonização afro-asiática, cabe ainda destacar:

A longa luta dos colonizados contra seus opressores. Os povos afro-asiáticos sempre reagiram à dominação; assim, foram tomando consciência da necessidade de conquistar sua independência;

O enfraquecimento das metrópoles européias, como a Inglaterra e a, devido aos enormes prejuízos que tiveram durante a Segunda Guerra;

O apoio da União Soviética e dos Estados Unidos aos movimentos de libertação afro-asiáticos. Ambos visavam ampliar seus mercados e suas áreas de influência.

O primeiro grande movimento de descolonização, ocorrido durante a década de 1940, atingiu principalmente os países asiáticos - Índia, Paquistão, Birmânia, Ceilão, Indonésia. Já nos anos 50, tal movimento deslocou-se para a África, onde se assistiu à independência de países como Gana, Quênia, Senegal e Congo Belga, além do início do movimento de libertação nacional na Argélia. Cientes de que possuíam um perfil histórico e econômico-social próprio, esses Estados nascentes procuraram articular suas similaridades e demandas internacionais nas chamadas Conferências de Solidariedade Afro-Asiáticas, realizadas em Bandung (1955) e no Cairo (1957).

A Conferência de Bandung, realizada de 18 a 24 de abril de 1955, na Indonésia, contou com a participação de 29 países independentes da África e da Ásia e mais a presença de observadores dos movimentos de libertação nacional desses dois continentes. Seus líderes foram Sukarno (Indonésia), Nerhu (Índia) Nasser (Egito) e Chu Enlai (China). Seu objetivo principal era fortalecer a união de todos os afro-asiáticos na luta contra as potências imperialistas.

Reunidos em Bandung, esses países decidiram que:

· “o colonialismo, em todas as suas manifestações, é um mal que deve ser posto fim rapidamente”;

· “a questão dos povos submetidos ao jugo do estrangeiro, ao seu domínio e à sua exploração, constituem uma negação dos direitos fundamentais do homem e é contrário (...) à paz e à cooperação mundial”.

Tais países se autodefiniram como membros do Terceiro Mundo e declararam-se numa posição de neutralidade face à Guerra Fria. A Conferência de Bandung estimulou também as independências afro-asiáticas, um processo ainda em andamento.

Descolonização da Ásia

No curso da Segunda Guerra Mundial intensificam-se os movimentos pela libertação e autonomia nacional em quase todos os países do continente asiático. Assumem a forma de guerras de libertação, em geral estimuladas ou dirigidas pelos comunistas, de resistência pacífica ao domínio colonial ou de gestões diplomáticas para a conquista da autonomia.

A independência da Índia

Entre os vários movimentos de libertação dos países asiáticos, merece destaque, por sua singularidade, a luta dos indianos para se libertarem do domínio inglês. A Índia era um país bastante misturado, havia evidentes diferenças sociais, falavam-se mais de 15 línguas, com 845 dialetos e muitas religiões, sendo o Hinduísmo e o Islamismo as religiões que predominavam, e para retardar a libertação, a Inglaterra estimulava a rivalidade que havia entre Hindu e Muçulmanos.

Desde o fim da Primeira Guerra Mundial, os nacionalistas indianos liderados por Mohandas K. Ghandi, exigiam a independência com igualdade de direitos para todas as etnias, classes e religiões. Ghandi ou “Mahatma” (Brande Alma) propunha aos indianos que enfrentassem os ingleses através da resistência pacífica, da não-violência. Coerente com suas idéias, o líder indiano comandava marchas pacíficas, fazia greves de fome e pregava a desobediência civil, como o não pagamento dos impostos e o não-consumo de produtos ingleses.

De sua parte, a Inglaterra quase sempre reprimia com violência as manifestações pacificas dos seguidores de Ghandi e estimulava as rivalidades entre hindus e muçulmanos, que constituíam uma grande parte da população nativa. Apesar disso, o movimento de libertação da Índia continuou crescendo até, em 1947, a Inglaterra reconheceu a independência mediante a divisão do território hindu em dois Estados; a República da Índia, para os hindus, e a República do Paquistão, para os muçulmanos.

A emancipação política da Índia estimulou vários outros países asiáticos a conquistar sua independência.

Independência da Indonésia

No séc. 17, na Indonésia, suas principais ilhas Java e Sumatra passaram a fazer parte do domínio colonial dos Países Baixos, mas os japoneses acabaram ocupando a região e prometeram autonomia para o país . Em 1945, com a derrota do Japão na 2º Guerra Mundial, foi declarada a independência da Republica Indonésia, mas a Holanda não reconheceu e iniciou-se um período de lutas entre o exercito holandês e os guerrilheiros nacionalistas, e foi em 1949, depois da mediação da ONU e dos EUA, que estavam interessados em estabelecer sua influência na região, que Holanda reconheceu a independência da Indonésia.

Independência da Indochina e a Guerra do Vietnã

As regiões do Vietnã, Laos e Camboja, faziam parte da antiga Indochina. A região do Camboja em 1863, tornou-se protetorado Francês. Em 1940 o Japão dominou toda a Indochina, e então no Vietnã formou-se um movimento nacionalista para lutar contra os invasores, denominado Vietminh (Liga Revolucionária para a independência do Vietnã), Liderado por Ho chi minh, que em 1931, fundou o Partido Comunista Indochinês.

No decorrer da Guerra do Vietnã, o território do Camboja sofreu infiltração dos vietcongues que estavam à procura dos inimigos, e Camboja até então neutro, mobilizou-se; Junto a uma sucessão de golpes de estado, verificou-se uma guerra sangrenta que dizimou sua população pelo genocídio, doenças e fome. Com a derrota do Japão na Guerra, Ho Chi minh proclamou a independência da República Democrática do Vietnã embora a França não tenha reconhecido. Em 1954 foi convocada a Conferência de Genebra para restabelecimento da paz, que serviu também para dividir o Vietnã em dois estados: Vietnã do Sul (pró-capitalista), com capital em Saigon, liderado por Bao Dai e o Vietnã do Norte (socialista), com capital em Hanói, governado por Ho Chi Minh e reconhecer a independência de Laos, Camboja e Vietnã.

Nos anos seguintes, ao mesmo tempo em que a Guerra Fria se acentuava, a rivalidade entre os dois Vietnãs cresceu e as eleições com vistas à reunificação do país não se realizaram. Opondo-se à divisão do Vietnã e ao ditador que os governava, os sul-vietnamitas fundaram, em 1960, a Frente Nacional de Libertação. Essa organização era formada por grupos de guerrilheiros socialistas conhecidos como vietcongues. A frente recebeu o imediato apoio do Vietnã do Norte.

Decididos a conter a expansão do socialismo na região, os Estados Unidos começaram a enviar ajuda militar ao governo do Sul e com isso precipitaram o início de uma nova guerra.

Durante os doze anos em que estiveram envolvidos nesse conflito, os Estados Unidos despejaram sobre o Vietnã milhões de toneladas de napalm e chegaram a manter na região 550 mil soldados.

Apesar de seu poderoso arsenal bélico, os norte-americanos foram derrotados pelas forças norte-vietnamitas e vietcongues, retirando-se da região em 1973.

A guerra, no entanto, prosseguiu até 1975, ano em que o governo de Saigon rendeu-se aos seus adversários.

No ano seguinte, os vencedores promoveram a unificação do país, transformando o Vietnã num Estado socialista.

Descolonização da África

O processo começa após a Segunda Guerra Mundial com a ação conjugada dos movimentos de libertação nacional surgidos em alguns países e a maior ou menor disposição das potências coloniais de estabelecer novas formas de relação com os países africanos. O processo de independência é desigual e mais demorado do que na Ásia.

Porém, embora politicamente independente, as jovens nações africanas permaneceram, em sua maioria, com vários problemas de difícil solução.

No plano econômico, continuaram tendo de exportar matérias-primas e gêneros agrícolas e importar produtos industrializados. Como os preços destes últimos tendem a subir sempre mais que os primeiros, tais nações mantiveram-se economicamente dependentes.

Outro problema que afeta as nações africanas é que reúnem grupos étnicos tradicionalmente rivais. Essa situação tem gerado guerras civis que, além de ensangüentar o solo africano, dificultam o crescimento dos países envolvidos. Esse problema tem sua origem na expansão imperialista do século 19, quando os europeus dividiram a maior parte da África entre si, reunindo dentro de fronteiras artificiais povos com costumes, línguas e religiões completamente diferentes. Na atualidade, os países africanos continuam lutando para se desvencilhar dessa terrível herança colonial e conquistar a independência plena. Nesse processo de luta, fundaram uma importante organização continental, a Organização da Unidade Africana (OUA), criada em 1963.

Essa organização foi substituída pela União Africana (UA) a 9 de Julho de 2002. Baseada no modelo da União Européia (mas atualmente com atuação mais próxima à da Commonwealth), ajuda na promoção da democracia, direitos humanos e desenvolvimento em África, especialmente no aumento dos investimentos estrangeiros por meio do programa NEPAD (Nova Parceria para o Desenvolvimento da África). Seu primeiro presidente foi o presidente sul-africano Thabo Mbeki.

Norte da África

A Líbia conquista a independência em 1951 e o Egito, com uma revolução nacionalista, em 1952. A República egípcia, nasce em 1953, com a introdução de reformas econômicas e sociais, industrialização e medidas socializantes. Em 1956 o presidente Gamal Abdel Nasser nacionaliza o Canal de Suez, abrindo uma crise com as potências ocidentais e aproximando o país da URSS. Tendo em vista as tensões com Israel, Egito e Síria unem-se em 1953 numa federação, a República Árabe Unida (RAU). O Sudão se separa do Egito como Estado independente em 1956. O Marrocos proclama a independência em 1956, com o consentimento da França. Na Tunísia, a França cede às pressões do partido nacionalista Neo-Destur, fundado em 1954, e permite que a Assembléia Nacional proclame a independência em 1956 e a República em 1957.

Argélia

No processo de descolonização da África, a guerra pela independência na Argélia foi a mais longa e violenta. A população é obrigada a enfrentar uma guerra prolongada de libertação em virtude da resistência dos colonos franceses (apelidados na metrópole de pieds noirs, ou pés pretos), que dominam as melhores terras. Em 1947, a França estende a cidadania francesa aos argelinos e permite o acesso dos muçulmanos aos postos governamentais, mas os franceses da Argélia resistem a qualquer concessão aos nativos. Nesse mesmo ano é fundada a Frente de Libertação Nacional (FLN), para organizar a luta pela independência.

Uma campanha de atentados antiárabes, entre 1950 e 1953, desencadeada por colonos direitistas, tem como reação da FLN uma onda de atentados nas cidades e guerra de guerrilha no campo. Em 1958, rebeldes exilados fundam no Cairo um governo provisório republicano. A intervenção de tropas de elite da metrópole (Legião Estrangeira e pára-quedistas) amplia a guerra. Ações terroristas, tortura e deportações caracterizam a ação militar da França. Os nacionalistas e oficiais ultra direitistas dão um golpe militar na Argélia em 1958.

No ano seguinte o presidente francês, Charles de Gaulle, concede autodeterminação aos argelinos. Mas a guerra se intensifica em 1961, pela entrada em ação da organização terrorista de direita OAS (Organização do Exército Secreto), comandada pelo general Salan, um dos protagonistas do golpe de 1958. Ao terrorismo da OAS a FLN responde com mais terrorismo. Nesse mesmo ano fracassam as negociações franco-argelinas, por discordâncias em torno do aproveitamento do petróleo descoberto em 1945. Em 1962 é acertado o Armistício de Evian, com o reconhecimento da independência argelina pela França em troca de garantias aos franceses na Argélia. A República Popular Democrática da Argélia é proclamada após eleições em que a FLN apresenta-se como partido único. Ben Bella torna-se presidente.

A África do Sul dividida

A África do Sul – região riquíssima em ouro e diamante – começou a ser ocupada pelos europeus em 1652, quando lá chegaram os primeiros holandeses. Desde então, os descendentes desses e de outros colonizadores, especialmente ingleses, apegaram-se à idéia da superioridade do homem branco.

Apoiados nesse argumento, que comprovadamente não tem nenhum fundamento científico, criaram no século 20 uma política de descriminação racial chamada apartheid, que dizer separação. A partir de 1948, o apartheid foi oficializado na União da África do Sul (país independente e governado por uma minoria branca desde 1910).

Criaram-se leis que descriminavam os negros em locais de trabalho, escolas, igrejas, esportes e transportes públicos. Apesar de constituírem uma população quatro vezes maior do que a branca, os negros foram proibidos de possuir terras em 87% do território nacional.

A elite branca estreitou também o seu controle sobre a indústria e a mineração. E, com uma parte dos fabulosos lucros extraídos dessas atividades, pôde armar e equipar as forças policiais que garantiram o apartheid por várias décadas.

Desde então, os negros, que constituem a parte maior da mão-de-obra no país, reagiram à exploração econômica e ao racismo, organizando movimentos e manifestações contra o governo sul-africano.

A partir de 1961, o CNA, ( Congresso Nacional Africano), partido que representa a maioria negra, passou a intensificar suas ações de protesto. Por causa disso, em 1964, Nelson Mandela e mais sete líderes da organização foram condenados à prisão perpétua. A luta contra o apartheid prosseguiu e ganhou grande projeção internacional a partir de 1976, ano em que o governo sul-africano ordenou um massacre no bairro negro de Soweto.

Logo depois, a ONU decretou a proibição da venda de armas ao país. Na década de 80, os conflitos raciais intensificaram-se, o governo aumentou a repressão e, em sua resposta, muitas empresas estrangeiras retiraram-se da África do Sul.

Em 1960, cedendo a fortes pressões internas e externas, o governo sul-africano começou a atenuar o apartheid:

· os transportes, praias e centros de lazer passaram a ser multirraciais;

· os líderes do CNA foram libertados (Mandela, que estava preso há 27 anos, foi solto em 2/2/1991);

· as leis de propriedade da terra (que reserva a maior parte das terras à minoria branca) e do registro (que classifica cada cidadão pela cor da pele) foram anuladas (julho de 1991).

Mesmo com esses avanços, as negociações entre o CNA de Mandela e o governo foram constantemente interrompidas pelo reinício dos atos de violência promovidos por grupos que não desejavam o fim do apartheid. Entretanto, essa oposição não foi suficientemente forte para impedir que Nelson Mandela fosse eleito presidente da República Sul-Africana (1994).

Conflitos regionais contexto da Guerra Fria

No contexto da Guerra fria, multiplicam-se os conflitos regionais. Em muitos deles, como no Sudeste Asiático e no Afeganistão, há a participação direta dos exércitos norte-americano e soviético. Ocorre também uma série de acontecimentos que escapam à órbita das potências hegemônicas, como o ressurgimento dos conflitos étnicos na Ásia e na África.

Guerra da Coréia

Conquistada pelo Japão em 1910, a coréia manteve-se sob seu domínio até 1945. Com a rendição do Japão na Segunda Guerra, em 1945, tropas soviéticas ocupam o norte da península coreana e forças norte-americanas se estabelecem no sul, com a divisa na altura dos 38 graus de latitude Norte. A idéia dos aliados é criar um governo único de caráter liberal para uma Coréia independente. As tropas soviéticas deixam o norte em setembro de 1948. No mesmo mês, Kim Il-sung, veterano líder de uma guerrilha comunista que combatera os japoneses, proclama no norte a República Popular Democrática da Coréia. Em agosto do ano seguinte é estabelecida no sul a República da Coréia, sob a liderança de nacionalistas de extrema direita. Os dois lados reivindicam soberania sobre toda a península e o norte ataca o sul em junho de 1950. O Conselho de Segurança da ONU recomenda aos países-membros que ajudem o sul e é formada uma força de 15 países, sob comando do general norte-americano Douglas MacArthur. Em outubro de 1950 a ofensiva liderada pelos EUA chega à fronteira entre o norte da Coréia e a China. Os chineses entram no conflito e um ano depois, a situação se estabiliza aproximadamente na linha anterior ao conflito. A morte de Stalin provoca um relativo relaxamento da tensão e um armistício é assinado na aldeia fronteiriça de Panmunjom em 27 de julho de 1953. Nunca foi formalizado um acordo de paz. Morreram pelo menos 3,5 milhões de pessoas, entre elas 142 mil soldados norte-americanos. A Coréia continuou dividida: o Norte sob o socialismo e o Sul sob o capitalismo.

Ocupação Soviética do Afeganistão

Em 1919, a Grã-Bretanha reconheceu o Afeganistão como Estado independente e Amanullah Khan tornou-se rei. Durante a década de 1920, o país passou por uma série de reformas e medidas de modernização, entre as quais a educação para as mulheres, que acabaram provocando revoltas internas.

Apesar da forte oposição de grupos tradicionais durante o reinado de Zahir Shah (na década de 1940), o programa de modernização foi intensificado e, em1946, o Afeganistão passou a fazer parte da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1973, o rei Zahir Shah foi derrubado e proclamou-se a República do Afeganistão.

Em 1978, após um violento golpe de Estado, um Conselho Revolucionário tomou o poder, dando início a um programa socialista que provocou a ira de parte dos muçulmanos ao ponto de levá-los à resistência armada. Como o governo não conseguisse conter a rebelião, tropas soviéticas entraram no Afeganistão em 1979 para apoiar o regime pró-comunista e afastar a ameaça de que o país caísse nas mãos do fundamentalismo islâmico. Os EUA temendo a expansão soviética tomaram algumas iniciativas, por exemplo, financiaram o Paquistão onde estavam presentes as bases de ataque.

O Exército Vermelho foi derrotado por grupos guerrilheiros afegãos, que contaram com respaldo financeiro e militar norte-americano. Durante os nove anos de guerra no Afeganistão, a União Soviética perdeu quinze mil soldados e, apesar de todos os esforços, no decorrer da década de 1980 as forças governamentais e os soldados soviéticos não conseguiram derrotar os rebeldes. O fracasso soviético levou analistas internacionais a descrever o conflito como o "Vietnã dos soviéticos". Pressionada pela opinião pública internacional e fustigada pela guerrilha islâmica, em maio de 1988 a União Soviética começou a retirada de suas forças, completada em fevereiro de 1989.

Porém, mesmo após a retirada soviética, a guerra civil interna continuou e, em abril de 1992, o presidente Mohamed Najibula, apoiado pelo soviéticos, deixa o poder e os rebeldes tomaram Kabul. O país torna-se um estado islâmico e, no ano seguinte, uma assembléia nacional, composta de varias facções rivais, líderes tribais e religiosos, aprova a criação de um parlamento e de um novo exército. Mas a união entre as varias facções dura pouco e o país acaba, mais uma vez, tornando-se palco de lutas internas. Isto permite, a partir de 1994, o crescimento de uma nova força política: os talibãs, um grupo fundamentalista islamismo financiado pelo Paquistão. O Taleban recebeu dinheiro americano.
O território do Afeganistão tornou-se ponto de disseminação do extremismo islâmico, com isso a Rússia e a China temiam que o extremismo e o fundamentalismo islâmico chegassem aos seus territórios. Durante a ocupação, cerca de 5 milhões de pessoas abandonaram o país, 3 milhões se fixaram no Paquistão.

Guerra do Camboja

Reconhecido como parte da União Francesa, o Camboja institui a monarquia constitucional em 1946, tendo o príncipe Norodom Sihanouk como chefe de Estado. Declara-se neutro na guerra vietnamita entre 1946 e 1954, quando sua independência é reconhecida. Em 1970, a pretexto de destruir santuários vietcongues em território cambojano, os Estados Unidos patrocinam um golpe militar e intervêm com tropas próprias. A guerra reúne numa frente, comunistas (Khmer Vermelho) e monarquistas. Os Estados Unidos retiram suas tropas em 1973, em decorrência do Acordo de Paris. Os nacionalistas de direita proclamam a República e tentam derrotar militarmente a frente Khmer-Sihanouk. Esta ocupa a capital, Pnom Penh, em 1975. Os monarquistas aceitam a República. Nas eleições de março de 1976, Sihanouk é eleito presidente e forma um governo de coalizão com o Khmer. Desentendimentos sobre o programa de reconstrução do país obrigam Sihanouk a retirar-se, deixando o Khmer Vermelho formar um governo exclusivo em abril de 1976. O novo governo do Khmer implanta então seu programa: força a transferência da população das cidades para o campo, reduz drasticamente a atividade industrial e isola o país. Dirigido pelo Partido Comunista do Kampuchea (novo nome do país), sob a liderança de Pol Pot, o governo se aproxima da China e rompe relações com o Vietnã.

Em dezembro de 1978, o Camboja é invadido por tropas do Vietnã, que instalam no poder dissidentes cambojanos rompidos com o Khmer. Inicia-se uma guerra de guerrilhas, sob o comando de Pol Pot, líder do Khmer Vermelho. O novo governo não é reconhecido internacionalmente e Pol Pot apresenta-se, inclusive na ONU, como representante legítimo do país. Durante dez anos, o país, já devastado durante o regime do Khmer, convive com intensa guerra civil. Forçadas pela aliança das forças oposicionistas, sob a presidência do príncipe Sihanouk e vice-presidência de um líder do Khmer Vermelho, as tropas vietnamitas deixam o Camboja em 1989. O plano de paz da ONU, acordado em agosto de 1990, prevê a criação de um Conselho Nacional Supremo de Transição (CNST), o desarmamento das forças em luta, retirada de todas as forças estrangeiras, integração das forças armadas guerrilheiras num exército nacional unificado e convocação de eleições. O acordo de paz é assinado em Paris, em outubro de 1992, com a formação do CNST, tendo o príncipe Norodom Sihanouk como presidente. A ONU envia contingentes de paz para garantir o cumprimento do acordo.

Um comentário:

isis disse...

esse site é uma bosta não encontrei o que eu estavaprocurandoso perdi o meu precioso tempo que droga de site é esse .