quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A era da dispersão: as Invasões Bárbaras


Características Gerais

A partir do século III, o extenso território controlado pelos romanos, sobretudo na Europa ocidental, começou a ser ocupado por inúmeros povos, às vezes de forma pacífica, outras vezes pela força. Em sua grande maioria, os povos invasores eram de origem germânica. Dentre eles, destacam-se: os anglos, os saxões, os francos, os lombardos, os suevos, os borgúndios, os vândalos e os ostrogodos.

Para os romanos, bárbaros eram todos os povos que habitavam além de suas fronteiras e não falava o latim. Tinham hábitos alimentares diferentes e de higiene pouco condizentes com os costumes romanos. Mas foi graças à convivência entre esses diferentes povos que surgiu no território europeu uma nova estrutura social. Nela são perceptíveis tanto elementos da cultura romana quanto dos povos germânicos. Essa sociedade, que então surgia, durou pelo menos mil anos. E até hoje podemos notar algumas de suas características, no mundo ocidental, como a forte presença do cristianismo.

Estes povos organizavam-se em função da subsistência. Sua economia baseava-se na caça, na pesca e, principalmente, nos saques de guerra. Agrupavam-se em tribos e algumas delas chegaram a desenvolver atividades agrícolas e pastoris rudimentares. Cada tribo possuía um chefe e a terra era propriedade coletiva.

Os bárbaros eram politeístas, cultuavam seus ancestrais e as forças da natureza, como o trovão, que, entre os germanos, era o deus Thor. O mais importante deus do panteão germânico, entretanto, era Odin, o protetor dos guerreiros.

Este conjunto de povos “não-romanos” achava-se dividido em grupos segundo sua origem, dentre os quais destacavam-se:

· tártaros-mongois: tribos de origem asiática como os hunos, turcos, búlgaros e húngaros;

· eslavos: originários da Europa oriental e parte da Ásia, compreendiam as tribos dos russos, polacos, tchecos, sérvios, bósnios, entre outras;

· germanos: povos de origem indo-européia, ocupavam a parte ocidental da Europa, que fazia fronteira com o Império Romano: francos, visigodos, ostrogodos, hérulos, anglos, saxões.

Dentre todos os povos bárbaros, os germanos foram os que, com suas invasões, mais contribuíram para a desintegração da parte ocidental do Império Romano e, conseqüentemente, para a formação do feudalismo.

Nas fronteiras do Império Romano

Durante os três primeiros séculos da era cristã, os romanos, apesar das diferenças de costumes, mantiveram relações pacificas com muitos dos povos germânicos. Mantinham trocas comerciais e, com o tempo, o próprio exército romano passou a contar com grande número de voluntários germânicos em suas fileiras.

Os primeiros grupos germânicos romperam as fronteiras do Império Romano de forma pacífica. Atraídos pelas riquezas e em busca de climas amenos e terras férteis, solicitaram permissão para se fixar no território. Para isso, ofereciam-se como soldados, para defender as fronteiras, ou como agricultores, para cultivar os campos. Os romanos, para proteger suas terras, geralmente aceitavam a oferta.

A convivência pacifica entre os povos germânicos e os romanos foi interrompida pelas sucessivas e violentas invasões, que duraram cerca de dois séculos, acabaram por destruir a unidade do Império Romano, sobretudo da parte ocidental. A principal causa da invasão do império foi a chegada dos hunos à Europa durante os séculos IV e V. originários do leste da Ásia, os hunos passaram a percorrer as regiões ocupadas pelos povos germânicos, empurrando-os ainda mais para dentro das fronteiras romanas. Os hunos, liderados por Átila, tornaram-se famosos pela violência de seus ataques e pela crueldade do tratamento que dispensavam aos que derrotavam.

Ao se estabelecerem no interior do Império Romano do Ocidente, os vários povos invasores foram aos poucos organizando suas sociedades. Muitas delas, com um rei e certa estrutura administrativa, se transformariam em reinos independentes.

A conquista de Roma, determinando a desintegração do Império Romano do Ocidente, originou inúmeros reinos bárbaros, alguns com existência bastante efêmera, conquistados por outros povos mais poderosos. Dentre os reinos bárbaros que se formavam, vale destacar:

· O Reino Visigodo, formado na região da Península Ibérica, seu domínio estendeu-se até o século VIII, quando das conquistas do árabe Tarik. Os visigodos, contudo, refugiaram-se nas montanhas e acabaram organizando vários reinos cristãos que, mais tarde, formariam a Espanha;

· O Reino Ostrogodo, constituído na Península Itálica, após a expulsão dos hérulos, seu rei, Teodorico, destacou-se pela construção da capital Ravena. Este reino acabou sendo conquistado por Justiniano. Imperador de Bizâncio;

· O Reino Vândalo, organizado no sul da Península Ibérica, deslocou-se, em seguida, sob o comando de Genserico, para o norte da África. Tal como o reino ostrogodo, foi incorporado ao Império Bizantino;

· Os Reinos Anglo-saxões, estabelecidos na região que hoje corresponde à Inglaterra, constituíram sete reinos, conhecidos por heptarquia saxônica;

· O Reino Franco: estabeleceu-se no norte da Itália, região da Gália, e transformou-se no principal reino da Idade Média.

As invasões dos bárbaros à Europa ocidental acarretaram mudanças profundas na vida de suas populações: a fragmentação e a desorganização do Império Romano; a formação de vários reinos que além de alguns valores culturais romanos, acabaram por adotar o cristianismo; a intensificação do processo de ruralização, dada a dificuldade de manutenção das atividades comerciais e urbanas, em função da insegurança gerada pelos ataques bárbaros; e a substituição do latim como língua predominante por línguas bárbaras ou originárias da mistura do latim com essas línguas.

Na formação desses reinos foi importante a relação entre os povos invasores e as populações locais. A partir dessa relação se consolidaram as estruturas econômicas, sociais e políticas da Europa ocidental. Por exemplo, a tradição cristã, surgida no Império Romano, tornou-se ao longo do tempo um elo de coesão social, e a estrutura de poder fragmentada seria, por sua herança dos povos germânicos.

De todos os reinos, o que perdurou por mais tempo foi o dos francos. Como não se distinguiam pelo espírito aventureiro, característico de outros povos germânicos, os francos fixaram-se nos atuais territórios da França e da Bélgica, próximos a sua região de origem. Com isso puderam manter suas características culturais. Outro motivo que fortaleceu o reino dos francos foi a ligação que ele estabeleceu com a Igreja cristã.

REINOS ROMANO-GERMÂNICOS

A partir do século V, os anglos e os saxões desembarcam nas ilhas britânicas, expulsando os celtas que lá viviam. Suevos e visigodos instalam-se na península Ibérica, borguinhões ocupam a Gália, ostrogodos migram para a península Itálica e os vândalos assentam-se no norte da África. Os francos avançam primeiro sobre os borguinhões, gauleses e visigodos, na Gália e na península Ibérica e, depois, atacam os lombardos ou longobardos na península Itálica.

Francos - Vivem na planície norte do Reno até o século IV. No século seguinte, com a eliminação dos pequenos reinados existentes, unificam-se sob o reinado de Clóvis.

Dinastia merovíngia - Iniciada por Meroveu, em 482. Na sua expansão inicial, elimina os restos do domínio romano ocidental com sua vitória sobre os gauleses. Em 496 triunfam sobre os alamanos e, em 497, convertem-se ao cristianismo, o que facilita a consolidação de suas conquistas e a posterior expansão sobre os borguinhões, visigodos e ostrogodos. Clóvis forma um reino em que se fundem francos e gauleses. Em 561 começam os conflitos internos entre a monarquia unitária e a nobreza, resultando na formação de três reinos distintos. Em 613 Clotário II consegue a adesão da nobreza para reunificar o reino, mas a monarquia se enfraquece e acelera o declínio do poder merovíngio.

Dinastia carolíngia - Em 751, Pepino, o Breve, destrona Childerico III, o último rei merovíngio, e consolida a dinastia carolíngia. Pepino, o Breve, atendendo apelo do papa, derrota os lombardos na península Itálica e coloca Roma sob sua proteção. Após novas campanhas vitoriosas, obriga o rei lombardo a devolver os territórios romanos conquistados. Entrega-os então ao papa para que constituam, junto com o ducado de Roma, o Estado Pontifício. Em 768 Pepino divide o reino entre seus dois filhos, mas a morte prematura de Carloman II deixa o reino em mãos de Carlos Magno.

Carlos Magno (747-814), primogênito de Pepino, o Breve, rei dos francos e imperador do ocidente. Famoso por sua altura (1,92 m) e habilidade política. Aprende a ler aos 32 anos. Durante os 46 anos de seu reinado, promove grande desenvolvimento cultural e realiza mais de 50 guerras, para expandir o cristianismo e Constantino impor sua hegemonia no ocidente. Recebe o título de maior soberano da Europa Medieval. No natal de 800 é coroado imperador do ocidente pelo papa Leão III, que diz "A Carlos Magno, coroado por Deus, vida e vitória". É canonizado em 1165. Após sua morte, o império fragmenta-se.

Desmembramento do império

Luís I, o Piedoso, sucessor e filho de Carlos Magno, se faz coroar pelo papa Estêvão IV. Disputas e guerras sucessórias envolvem os filhos de Luís I e resultam na divisão do Império Franco. Em 840 os irmãos Luís, o Germânico, e Carlos, o Calvo, unem-se contra Lotário, o primogênito herdeiro. A aliança é reforçada em 842 pelo Juramento de Estrasburgo, o mais antigo documento redigido em alto alemão e francês antigo. A guerra fratricida termina em 843, com o Tratado de Verdun, pelo qual o Império Franco permanece dividido em três reinos. A divisão prolonga-se até 987, quando Hugo Capeto é eleito e coroado rei da França.

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