quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Fenícios


Enquanto os povos semitas brigavam pelo domínio da Mesopotâmia, o mar Mediterrâneo era posse indiscutível de um povo de comerciantes que vivia numa estreita faixa de terra: os fenícios. Esse povo levou adiante a façanha de fazer com que as diversas culturas do Oriente Médio se conhecessem umas às outras. Os fenícios foram os grandes navegadores da Antiguidade, chegando até o Mediterrâneo ocidental e o Atlântico. Além disso, dizemos que eles ensinaram o mundo a ler, já que inventaram o alfabeto que usamos hoje.
Dispunham de poucas terras férteis para o desenvolvimento das atividades agrícola ou pastoril, mas contavam com um extenso litoral. Devido a essas características geográficas, que facilitavam mais o contato com o exterior, os fenícios dedicaram-se às atividades marítimas, sendo considerados os maiores navegadores da Antigüidade. Segundo Heródoto, esse povo foi o primeiro a contornar o continente africano, a serviço do faraó Necao.
Grandes comerciantes, comerciavam todos os tipos de mercadorias, inclusive escravos. Dominaram o comércio do Mediterrâneo durante muito tempo. Fundaram colônias, como Cartago (norte da África) e Cádiz (costa da Espanha).

Localização e clima

A Fenícia era uma estreita faixa de terra entre os montes Líbano e o mar Mediterrâneo. É por essa costa que o Oriente Médio se comunica com o mar Mediterrâneo. O clima da região é variado. Nos vales faz calor e nas montanhas faz frio. A região é muito fértil por causa dos rios que a atravessam. Além disso, suas montanhas eram cobertas por florestas de cedros, cuja madeira era usada para construir barcos.

Um povo de comerciantes e marinheiros

Os fenícios eram um povo semita que se estabeleceu na Síria por volta de 3000 a.C. Logo depois, fixaram-se na região dos montes Líbano e na costa do mar Mediterrâneo. Os gregos os chamaram de púnicos ou penícios, que quer dizer homens vermelhos, porque eles usavam roupas tingidas de vermelho. Os fenícios foram o único povo que se dedicou exclusivamente ao comércio, fazendo a ligação entre povos e culturas distantes e desconhecidas. Foram os maiores navegantes e descobridores da Antiguidade.

Os fenícios nunca tiveram um país unificado. Sempre foram um grupo de cidades confederadas, que se ajudavam umas às outras, mas eram independentes. A cidade mais forte liderava as demais, embora as cidades mais fracas mantivessem muita autonomia.
Várias cidades se sucederam nessa liderança. As principais foram: Biblos (2500 a.C.-1600 a.C.), cidade que comercializava papiros do Egito. Os gregos chamavam esses papiros de “biblos”, o que deu origem à palavra “livro”; Sidon (1600 a.C.-1300 a.C.) e Tiro (1200 a.C.-900 a.C.), de onde saíam os grandes comerciantes, por mar e por terra. Os fenícios foram o primeiro povo do Oriente Médio a fundar povoamentos e mercados no norte da África e na Europa. Exemplos disso são Cartago, no norte da África; Malta, no mar Mediterrâneo; Marselha, na França; e Sevilha, na Espanha.

A decadência (701 a.C.-333 a.C.)

Quando os impérios da Mesopotâmia se consolidaram, os fenícios começaram a participar de alianças militares. Nesse momento começou a decadência. Tiro foi saqueada em 701 a.C. pelos assírios e em 574 a.C. pelos caldeus, que a destruíram totalmente. As demais cidades se tornaram dependentes do império persa até que foram dominadas pelo exército de Alexandre Magno, em 333 a.C.
Sociedade e política
Assim como a história dos fenícios se confunde com a história dos demais povos do Oriente Médio, a cultura dos fenícios assimilou os avanços técnicos que outros povos desenvolveram e os exportou para as regiões com as quais eles mantinham relações comerciais. O governo dos fenícios não era igual em todas as cidades. Em alguns casos, era exercido por um rei, hereditário ou eleito. Em outros, era exercido por um conselho supremo. Apesar da existência do rei ou do conselho, quem governava de fato era uma assembléia que reunia os comerciantes mais importantes da cidade. Ao contrário dos demais povos do Oriente Médio, os sacerdotes e os militares não tinham papel muito importante na sociedade fenícia.
A sociedade fenícia tinha também uma camada de homens livres, que eram pescadores, artesãos e agricultores. Tinham também escravos. Os fenícios foram o primeiro povo a produzir mercadorias em grande quantidade. Eles organizaram as primeiras “manufaturas”, por assim dizer, nas quais aplicavam os avanços que tinham aprendido com outros povos.
A maior parte dos produtos exportados pelos fenícios era feita nas oficinas dos artesãos, que se dedicavam à:
• metalurgia (armas de bronze e ferro, jóias de ouro e prata, etc.);
• fabricação de vidros; fabricação de tecidos finos na cor púrpura (tintura obtida com uma substância avermelhada extraída do múrice; molusco do Mediterrâneo);
De várias regiões do mundo antigo, os fenícios importavam metais, pedras preciosas, perfumes, cavalos, cereais, marfim etc.

A religião

Os fenícios acreditavam em várias divindades identificadas com as forças da natureza, especialmente aquelas que garantiam a fecundidade do solo e que orientavam os navegadores. Adoravam um deus principal em cada cidade, geralmente chamado de Baal, representando o sol, a deusa Astartéia, a fecundidade, às vezes identificadas com a lua. Os outros deuses, como, por exemplo, Dagon, o deus do trigo, manifestavam o caráter destacadamente agrário da região.

As ciências e as artes

Os fenícios não criaram nenhuma arte própria, pois imitavam tudo aquilo que os demais povos faziam. Mas eles aperfeiçoaram muitas das descobertas de outros povos. Os fenícios aperfeiçoaram a técnica da produção de vidro, inventada pelos egípcios, e aprenderam a tingir tecidos com os caldeus. Foram também grandes armadores de barcos. Sua frota foi a mais poderosa do mundo antigo. Além disso, especializaram-se na produção de armas de ferro e de bronze. As jóias e os perfumes feitos pelos fenícios eram muito conhecidos.
Os fenícios também desenvolveram a geografia e a astronomia, que facilitavam a navegação e o reconhecimento das terras distantes. Eles chegaram até o oceano Atlântico. Desenvolveram, também, a geometria e o desenho, que aplicavam à construção de barcos.
A principal conquista dos fenícios foi o alfabeto. Eles adotaram os hieróglifos egípcios, mas logo os simplificaram: o comércio exigia uma forma mais eficiente de anotar as coisas. Partindo daí, criaram 22 letras que tinham sons diferentes. Foi assim que nasceu o alfabeto que usamos hoje.

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