quinta-feira, 6 de novembro de 2008

IMPÉRIO BIZANTINO

Constantino fundou Constantinopla (hoje Istambul na Turquia) em 330, no lugar onde existia a colônia grega de Bizâncio.
Após a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, a sede do Império Romano do Oriente, Constantinopla, tem seu nome mudado para Bizâncio, e o domínio passa a ser conhecido como Império Bizantino.
A localização geográfica era privilegiada: entre Europa e Ásia, na passagem do Mar Egeu para o Negro, cercada de águas por três lados e protegida por muralhas. Estes fatores contribuíram para a longa duração do império Romano do Oriente, criado por Teodósio em 395. A cidade só caiu em 1453 porque Maomé II destruiu-lhe as muralhas com poderosos canhões, fabricados por engenheiros saxões. Constantinopla representava a síntese dos mundos greco-romano e oriental. Enquanto o Império ocidental ruía, mantinha a unidade do oriental, que abrangia Península Balcânica, Ásia Menor, Síria, Palestina, norte da Mesopotâmia e nordeste da África.
Graças a essa posição podia controlar as rotas comerciais que vinham da china, da Pérsia e da Índia, atraindo mercadores de todas as nacionalidades: gregos, armênios, búlgaros, turcos, judeus, russos e italianos. Para reunir povos tão diferentes sob seu domínio, Constantinopla impunha uma só língua – o grego – e uma só religião – o cristianismo – como fatores de identidade. Ou seja, para alguém se considerar “bizantino” era preciso, antes de tudo, falar grego e praticar o cristianismo.
O governo de Justiniano
O Império Bizantino atingiu o máximo esplendor no governo de Justiniano (527-565), macedônio filho de camponeses, sobrinho do general Justino, que se havia tornado imperador através de um golpe militar. Justiniano casou com uma atriz, Teodora, que exerceu decisiva influência sobre a administração, orientando muitas decisões do marido.
A partir de 527, o imperador Justiniano estabelece a paz com os persas para empregar suas forças na reconquista da parte ocidental do império. Em seu governo moveu uma série de guerras contra os bárbaros para reconquistar os territórios perdidos pelo Império Romano do Ocidente. Conseguiu ocupar o norte da África, derrotando os vândalos, apossa-se da Itália, submetendo os lombardos, e toma o sul da Espanha aos visigodos.
Justiniano conservou ou restabeleceu os quadros administrativos romanos em todo o Império. O Direito Romano foi revisado e atualizado, para fortalecer juridicamente as bases do poder imperial e dotar o Estado de um sistema jurídico eficiente. O resultado desse trabalho é conhecido pela denominação de Corpus Juris Civilis, compreendendo quatro partes:
• O Código de Justiniano (Novus Justinianus Codex), que continha toda a legislação romana revisada desde o Imperador Adriano;
• O Digesto ou Pandectas, que incluía um sumário da jurisprudência romana;
• As Institutas, que constituíam um resumo para ser utilizado pelos estudiosos de Direito;
• As Novelas ou Autênticas, que reuniam as novas leis de Justiniano.

Justiniano, o teólogo, procurou unir o mundo oriental e o ocidental pela religião. Em sua época, uma heresia voltou, sob a forma do monofisismo. Era a doutrina de Nestório. Seus adeptos afirmavam que Cristo tinha apenas natureza divina; ao contrário da tese do papa Leão I, aprovada em 451 no Concílio Ecumênico de Calcedônia, estabelecendo que Cristo tinha duas naturezas em uma só pessoa: a humana e a divina.
O monofisismo comportava aspectos políticos e manifestava-se como reação nacionalista contra o Império Bizantino. Por isso era mais forte na Síria e no Egito, regiões dominadas por Constantinopla. Os hereges tinham um forte aliado: a imperatriz Teodora.
Justiniano queria uma Igreja unificada, para usá-la como apoio de seu governo. Isto explica seu cesaropapismo, isto é, a intervenção na Igreja. Para não desagradar ao papa, tentou conciliar a heresia com a ortodoxia. Mas acabou pondo sua influência o próprio papa e a Igreja do Ocidente, que passou a assumir traços da Igreja do Oriente.

Política externa e mais problemas

Justiniano procurou reconstruir todo o Império. Estabeleceu "paz perpétua" com os persas e conteve o avanço búlgaro. Então, iniciou as guerras de conquista no Ocidente.
Belisário reconquistou a África, trabalho facilitado pelas disputas entre arianismo e cristianismo que atingiam os vândulos. Houve problemas maiores na Itália. Os ostrogodos a dominavam haviam tempos, até com apoio de imperadores romanos do Oriente. Justiniano de novo se impôs à custa da divisão, agora entre os sucessores de Teodorico, fundador do Reino Ostrogótico da Itália.


Em 524, os bizantinos conquistaram a Espanha meridional aos visigodos.

Outros problemas sobrevieram. A falta de dinheiro atrasava o salário dos soldados. Pestes e ataques bárbaros faziam aumentar o poder dos proprietários, pois o governo era incapaz de garantir a segurança. Constantinopla, cansada de impostos e autoritarismo, recebeu a morte de Justiniano com júbilo. Mas as dificuldades cresceram nos séculos seguintes. Árabes e búlgaros intensificaram as tentativas de entrar no Império, que se viu às voltas com uma disputa religiosa, o Movimento Iconoclasta, isto é, destruidor de imagens (ícones). O imperador queria obrigar o povo a adorar só a Deus, de imagem irrepresentável. O Império Bizantino orientalizou-se, até abandonou o latim em favor do grego. No século XI, declinou mas se recuperou; sobreviveria até o fim da Idade Média.
Revolta de Nika
As campanhas militares empreendidas na conquista de território acarretaram muitos gastos públicos, levando o governo a impor uma opressiva elevação dos tributos. A insatisfação popular com a opressão e a miséria era grande, pois os fiscais do imperador, no esforço de arrecadar cada vez mais, iam se tornando violentos com a população, que os odiava.
Em 532 explodiu a Revolta de Nika (do grego nike, vitória, que os revoltosos gritavam). Verdes e Azuis, os dois principais partidos políticos e esportivos que concorriam no hipódromo, rebelaram-se, instigados por aristocratas legimistas (partidários da dinastia legítima, já que Justiniano fora posto no trono pelo tio, usurpador do poder). A firmeza de Teodora e a intervenção do general Belisário salvaram Justiniano. Os revoltosos foram cercados e mortos no hipódromo.Violentamente reprimida pelas forças do governo, a revolta causou a morte de cerca de 35 mil pessoas.
Cesaropapismo e Grande Cisma do Oriente
Sufocada a Revolta de Nika, Justiniano consolidou sua posição de monarca absoluto através do cesaropapismo: assumiu totalmente a chefia da Igreja (tal como César) e a chefia da Igreja católica (tal como o papa). Isso ocorre em decorrência do fortalecimento do papado romano após sua aliança com os francos, que atinge seu ápice com a coroação de Carlos Magno. O abandono da obediência da Igreja Bizantina a Roma, em 867, coincide com uma nova tentativa de expansão de Bizâncio, que reforça o absolutismo imperial, consolida a influência grega e intensifica a difusão do monarquismo e do misticismo, em contraposição às reformas do papa Leão IX. O cesaropapismo inaugurado por Justiniano, representou um verdadeiro desafio à autoridade do papa, que desejava deter o comando universal da Igreja católica.
Os conflitos entre o imperador bizantino e o papa perduraram séculos. E, em 1054, culminaram no chamado Grande Cisma do Oriente, que dividiu a cristandade em duas Igrejas:
• Igreja Ortodoxa – com sede em Bizâncio, sob o comando do imperador bizantino:
• Igreja Católica Apostólica Romana – com sede em Roma, sob a autoridade do papa.
A cultura bizantina


A posição geográfica favoreceu o desenvolvimento comercial e industrial de Constantinopla, que possuía numerosas manufaturas, como as da seda. A maior realização cultural de Justiniano foi a igreja de Santa Sofia, simples por fora, suntuosa por dentro: a cúpula apoiada em colunas, terminadas em capitéis ricamente trabalhados. Artistas revestiram-na de mosaicos azul e verde sobre fundo negro, com figuras geométricas ou animais e, destacadas, cenas do Evangelho e a imagem de Cristo
Ravena, sede bizantina na Itália, era um dos centros produtores de belíssimos mosaicos. A arte bizantina combinava o luxo e a exuberância orientais com o equilíbrio e a sobriedade dos romanos. Sua mais alta expressão está nas igrejas, inspiradas na arquitetura persa, coroadas de majestosas cúpulas, distintas do estilo das basílicas romanas.
Queda de Constantinopla
Por causa das guerras externas e civis e das Cruzadas, Bizâncio continua se enfraquecendo. Em 1203 Constantinopla é tomada pela Cruzada e sofre o maior saque de relíquias e objetos de arte que a história da Idade Média registra. O Império Bizantino é repartido entre os príncipes feudais, originando os diversos Estados monárquicos. Sob assédio constante dos turcos desde 1422, Constantinopla cai em 1453 e marca o fim do Império Romano do Oriente.

Nenhum comentário: