quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Os Hebreus


A antiga Palestina, denominada terra de Canaã, compunha uma faixa de terra cercada pela Síria, pela fenícia e pelo deserto da Arábia. O vale do rio Jordão era a área mais fértil, favorecendo a prática agrícola e a fixação da população, ao contrário do resto do seu território, que era formado por montanhas e colinas de solo pobre e seco, trilhado por grupos nômades dedicados ao pastoreio.

Os hebreus eram povos de origem semita (os semitas compreendem dois importantes povos: os hebreus e os árabes), que se distinguiram de outros povos da Antigüidade por sua crença religiosa. O termo hebreu significa "gente do outro lado do rio”, isto é, do rio Eufrates. Os hebreus foram um dos povos que mais influenciaram a civilização atual. Sua religião o judaísmo influenciou tanto o cristianismo quanto o islamismo.

A mais rica fonte da história hebraica é a Bíblia, pois a primeira parte, o Antigo Testamento, é um relato dos principais acontecimentos políticos e religiosos vivenciados pelos hebreus.

Os hebreus, povos de origem semita, a princípio eram nômades que se dedicavam ao pastoreio. Estavam organizados em clãs patriarcais (grupo ligados por laços de parentesco e de tradição), os quais possuíam como autoridade maior o patriarca, (chefe que ocupava os cargos de sacerdote, juiz e comandante militar).

Em 1947, com a descoberta de pergaminhos em cavernas às margens do Mar Morto (os Manuscritos do Mar Morto), foi possível obter mais informações sobre os hebreus. Esses pergaminhos foram deixados por uma comunidade que viveu ali por volta do século I a.C.

A história política dos hebreus é dividida em três períodos: Períodos dos Patriarcas, Período dos Juizes, Período dos Reis.

Os patriarcas

Os hebreus eram inicialmente, um pequeno grupo de pastores nômades, organizados em clãs ou tribos, chefiadas por um patriarca. Conduzidos por Abraão, deixaram a cidade de Ur , na Mesopotâmia, e se fixaram na Palestina (Canaã a Terra Prometida), por volta de 2000 a.C.

A Palestina era uma pequena faixa de terra, que se estendia pelo vale do rio Jordão. Limitava-se ao norte, com a Fenícia, ao sul com as terras de Judá, a leste com o deserto da Arábia e, a oeste com o mar Mediterrâneo.

Governados por patriarcas, os hebreus viveram na palestina durante três séculos. Os principais patriarcas hebreus, foram Abraão (o primeiro patriarca), Isaac, Jacó (também chamado Israel, daí o nome israelita), Moisés e Josué.

Por volta de 1750 a.C. uma terrível seca atingiu a Palestina. Os hebreus foram obrigados a deixar a região e buscar melhores condições de sobrevivência no Egito. Permaneceram no Egito, cerca de 400 anos, até serem perseguidos e escravizados pelos faraós. Liderados então, pelo patriarca Moisés, os hebreus abandonaram o Egito em 1250 a.C., retornando à Palestina. Essa saída em massa dos hebreus do Egito é conhecida como Êxodo.

De acordo com a Bíblia, foi durante o êxodo dos hebreus, que Moisés recebeu de Deus a tábua dos Dez Mandamentos (Decálogo), quando atravessava o deserto do Sinai. A partir daí, os hebreus passaram a adorar um só deus, Jeová (ou Iahweh), adotando o monoteísmo.

Os juizes

De volta à Palestina, sob a liderança de Josué, os hebreus tiveram de lutar contra o povo cananeu e , posteriormente, contra os filisteus. Josué (sucessor de Moisés), distribuiu as terras conquistadas entre as doze tribos de Israel. Nesse período os hebreus, passaram a se dedicar à agricultura, a criação de animais e ao comércio, tornavam-se portanto sedentários.

No período de lutas pela conquista da Palestina, que durou quase dois séculos, os hebreus foram governados pelos juizes. Os juizes eram chefes políticos, militares e religiosos. Embora comandassem os hebreus de forma enérgica, não tinham uma estrutura administrativa permanente. Entre os mais famosos juizes destaca-se Sansão, que ficou conhecido por sua grande força, conforme relata a Bíblia. Outros juizes importantes foram Gedeão e Samuel.

Os reis

A seqüência de lutas e problemas sociais criou a necessidade de um comando militar único. Os hebreus adotaram então, a monarquia. O objetivo era centralizar o poder nas mãos de um rei e, assim, ter mais força para enfrentar os povos inimigos, como os filisteus.

O primeiro rei dos hebreus foi Saul (1010 a.C.). Depois veio o rei Davi (1006-966 a.C.), conhecido por ter vencido os filisteus (segundo a Bíblia, ele derrotou o gigante filisteu Golias). Com a conquista de toda a Palestina, a cidade de Jerusalém tornou-se a capital política e religiosa dos hebreus.

O sucessor de Davi foi seu filho Salomão, que terminou a organização da monarquia hebraica e seu reinado marcou o apogeu do reino hebraico. Durante o reinado de Salomão (966-926 a.C.), houve um grande desenvolvimento comercial, foram construídos palácios, fortificações, a construção do Templo de Jerusalém, criou um poderoso exército, organizou a administração e o sistema de impostos. Montou uma luxuosa corte, com muitos funcionários e grandes despesas.

Para poder sustentar uma corte tão luxuosa, Salomão obrigava o povo hebreu a pagar pesados impostos. O preço dessa exploração foi o surgimento de revoltas sociais.

Com a morte de Salomão, essas revoltas provocaram a divisão religiosa e política das tribos e o fim da monarquia unificada. Formaram-se dois reinos: ao norte, dez tribos formaram o reino de Israel, com capital em Samaria e, ao sul, as duas tribos restantes formaram o reino de Judá, com capital em Jerusalém.

Em 722 a.C., os reinos de Israel foram conquistados pelos assírios, comandados por Sargão II. Grande parte dos hebreus foi escravizada e espalhada pelo Império Assírio.

Em 587 a.C., o reino de Judá foi conquistado pelos babilônios, comandados por Nabucodonosor. Os babilônios destruíram Jerusalém e aprisionaram os hebreus, levando-os para a Babilônia. Esse episódio ficou conhecido como o Cativeiro da Babilônia.

Os hebreus permaneceram presos até 538 a.C., quando o rei persa Ciro II conquistou a Babilônia, e puderam então à Palestina, que se tornara província do Império Persa e reconstruíram então o templo de Jerusalém.

A partir dessa época, os hebreus não mais conseguiram conquistar a autonomia política da Palestina, que se tornou sucessivamente província dos impérios persa, macedônio e romano.

Economia e Sociedade

A vida socioeconômica dos hebreus pode ser dividida em duas fases: a nômade e a sedentária.

A princípio, os hebreus eram pastores nômades (não tinham habitação fixa), que se dedicavam à criação de ovelhas e cabras. Os bens pertenciam a todos do clã. Mais tarde, já fixados na Palestina, foram deixando os antigos costumes das comunidades nômades. Desenvolveram a agricultura e o comércio, tornaram-se sedentários.

Nos primeiros tempos a propriedade da terra era coletiva, depois foi surgindo a propriedade privada da terra e dos demais bens. Surgiram as diferentes classes sociais e a exploração de uma classe pela outra. A conseqüência dessas mudanças foi que grandes proprietários e comerciantes exibiam luxo e riqueza, enquanto os camponeses pobres e os escravos viviam na miséria.


Vida cultural e religiosa dos hebreus

Por acreditar num só deus, os hebreus foram diferentes dos demais povos da Antiguidade. Esse Deus lhes dava tudo de que precisavam e, por meio de revelações, fazia-os saber o que queria deles. A Bíblia, que em grego quer dizer “os livros”, conta toda a história do povo hebreu. Também contém um código de leis, o Torá, que regulamenta a família, as riquezas, os contratos e as obrigações. A Bíblia foi também o legado sobre o qual os cristãos construíram uma nova religião a partir da chegada de Jesus Cristo.

A religião atuou como importante fator de identidade nacional, cultural e política dos hebreus. Acreditavam num só deus – eram monoteístas – e na vinda de um messias, um libertador que os conduziria na luta contra as dominações estrangeiras. A característica monoteísta de sua crença serviu de matriz para outras religiões, como o cristianismo e o islamismo.

Os hebreus realizavam diversas festas religiosas, destacando momentos importantes da crença e da vivência política hebraica. Assim, santificavam o Sabat (sábado), considerado o sétimo dia da criação do mundo; a Páscoa, relembrando a saída dos hebreus do Egito; e o Pentecostes, o recebimento por Moisés do Decálogo, os Dez Mandamentos.

Os princípios que norteiam a religião judaica acham-se no Antigo Testamento, da Bíblia, e no Talmude, livro escrito pelos sacerdotes.

A criação do aramaico, escrita e língua dos povos semitas, originários da Ásia ocidental (como os hebreus, cananeus, assírios e outros), foi a grande realização cultural dos hebreus. A elaboração do Antigo Testamento demonstra a preocupação religiosa que envolvia a arte literária desse povo. O Antigo Testamento constitui-se de várias partes:

· O Pentateuco, formado pelos primeiros cinco livros atribuídos a Moisés. São eles: o Gênese, sobre as origens do povo hebreu; o êxodo, que narra a libertação do Egito; o Levítico, em que são descritos os rituais judaicos; o Livro dos Números, uma espécie de censo da população hebraica; e o Deuteronômio, que conta a história de Israel;

· Os Livros históricos, que narram a história dos hebreus na Palestina desde Josué até a dominação persa. Entre eles temos o Livro de Josué, o Livro dos juízes, o Livro de Samuel e o Livro dos Macabeus;

· Os Livros Proféticos, que contam a vitória do monoteísmo sobre as religiões vizinhas, destacando-se o livro de Isaías, o livro de Amós, o Livro de Ezequiel e o Livro de Daniel;

· Os Livros Didáticos, finalmente, que ensinam os princípios religiosos, morais e sociais a serem seguidos, destacando-se o Livro de Jô, os Salmos de Davi, os Provérbios e os Cânticos de Salomão.

As ciências e as artes

As artes não tiveram muito destaque na vida dos hebreus. A razão disso é que sua religião não permitia que eles fizessem estátuas. O Templo de Jerusalém foi construído pelos fenícios, por encomenda. No campo da literatura, entretanto, nos legaram o Antigo Testamento, com seus 45 livros.