quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O Egito Antigo

Uma das civilizações mais importante da história Antiga se desenvolveu na região do Crescente Fértil no nordeste da África, uma região caracterizada pela existência de desertos e pela vasta planície do rio Nilo. Nas nascentes do Nilo, caem abundantes chuvas nos meses de junho a setembro provocando inundações em diversas áreas. Com a baixa do Nilo o solo libera o húmus fertilizante que facilita a prática da agricultura. Para controlar as enchentes e aproveitar as áreas fertilizadas, os egípcios tiveram de realizar grandes obras de drenagem e de irrigação, com a construção de açudes e de canais, o que permitiu a obtenção de várias colheitas anuais.
O Egito era, assim, um verdadeiro oásis em meio ao deserto. Por isso, o historiador grego Heródoto afirmou: o “Egito é uma dádiva do rio Nilo”. Entretanto, somente fatores naturais não são suficientes para explicar o desenvolvimento da civilização egípcia. Deve-se considerar a atuação humana através do trabalho, da criatividade e do planejamento. Assim, aliando esforço e criatividade, os egípcios aproveitaram os recursos naturais, fazendo surgir uma das mais antigas civilizações.
O rio fornecia aos egípcios água para beber e boas condições para as lavouras, além de peixes e aves aquáticas, usadas na alimentação. Em suas margens cresciam ainda diversas plantas, entre as quais, o papiro. Com essa planta, os egípcios fabricavam uma espécie de papel, que por isso ficou conhecido também como papiro. O Nilo era tão fundamental para a sobrevivência dos egípcios que, em sua homenagem, foram feitos muitos hinos e orações.

Periodização da história egípcia

Os primeiros grupos humanos que se fixaram no vale do Nilo, ainda na fase Neolítica, organizaram comunidades agrícolas rudimentares e autônomas chamadas nomos. A partir delas, as comunidades começaram a desenvolver uma agricultura eficiente que garantiu o crescimento da população. Esta passou a concentrar-se em cidades às margens do Nilo, aperfeiçoando técnicas de irrigação e desenvolvendo uma cultura de características singulares. Exemplos disso foram o surgimento da escrita hieroglífica (sagrada) e a elaboração de um calendário solar
Por volta do ano 3500 a.C., os nomos uniram-se para melhor aproveitar as águas do Nilo, construindo diques e canais de irrigação. A reunião dos nomos deu origem a dois reinos: o do Alto Egito, ao sul, e o Baixo Egito, ao norte. Em 3200 a.C., Menés, chefe do Alto Egito, estabeleceu a unificação territorial e política, tornando-se o primeiro faraó egípcio. Conseguiu construir um Estado forte que dominava 42 aldeias agrícolas (nomos), chefiadas pelos nomarcas, representantes locais do faraó.
Como mandatário supremo dos egípcios, o faraó concentrava todos os poderes em suas mãos. Considerado o dono das terras, a população era obrigada a servi-lo e pagar-lhe tributos. Era tido como um deus vivo, sendo cultuado como tal e, ao contrário dos demais egípcios, podia ter várias esposas. Assim, no Egito, estabeleceu-se uma monarquia teocrática, na qual o rei possuía o poder político e religioso. A intensa religiosidade favorecia a preservação do poder do faraó e da ordem social.
A história do Egito é, em geral, dividida em três períodos: Antigo Império, Médio Império e Novo Império.

ANTIGO IMPÉRIO (3200 a.C. a 2300 a.C.)

Com a unificação promovida por Menés, a capital do Egito passou a ser a cidade de Tinis. Mais tarde, a capital foi transferida para a cidade de Mênfis, atual Cairo.
Entre 2700 a.C e 2600 a.C. foram construídas grandes pirâmides (templos funerários destinados ao faraó e sua família), na região de Gizé. Os faraós da quarta dinastia, Quéops, Quéfren e Miquerinos, foram os que mais se empenharam para a construção desses monumentos.
Por longo período do Antigo Império, o Egito conheceu a estabilidade política e social. Contudo, a partir do ano de 2300 a.C., o poder dos nomarcas cresceu a ponto de se sobrepor à supremacia do faraó, determinando uma descentralização política. Nesse momento aconteceram acirradas lutas entre os nomarcas e inúmeras revoltas sociais, o que gerou crise decorrentes da desorganização da produção.

MÉDIO IMPÉRIO (2100 a.C. a 1750 a.C. )

Os faraós reconquistaram o poder. Príncipes do Alto Egito restauraram a unidade política do Império e estabeleceram em Tebas a nova Capital. A massa camponesa, através de revoltas sociais, conseguiu o atendimento de algumas reivindicações, como por exemplo, a concessão de terras, a diminuição dos impostos e o direito de ocupar cargos administrativos até então reservados às camadas privilegiadas.
Em cerca de 1800 a.C., entretanto, teve início uma onda de invasões estrangeiras: hebreus e, principalmente, hiosos estabeleceram seu domínio na região. Isso era resultado de uma série de revolta do povo e da nobreza egípcios, que tornou o império ingovernável e suscetível a invasões. Os hiosos, povos de origem asiática, possuíam superioridade Bélica sobre os egípcios, pois usavam carros de guerra, cavalos e armas de ferro, equipamentos desconhecidos no vale do Nilo.
A dominação dos hiosos despertou forte sentimento nacional e militarista entre os egípcios, os quais se uniram e, em 1580 a.C., sob o comando do faraó Amósis I, conseguiram expulsar os invasores. Assim, a unidade territorial foi restabelecida e tebas retornou a posição de capital do Egito. Após a expulsão dos hiosos, os hebreus também invasores de origem asiática, foram dominados e escravizados. Por volta de 1250 a.C., porém, conseguiram deixar a região, sob o comando de Moisés, no chamado Êxodo.

NOVO IMPÉRIO (1580 a.C. a 525 a.C. )

Este período assiste ao apogeu da civilização egípcia, quando as conquistas militares ampliaram muito as fronteiras do império. Entre os faraós que se destacaram no período, temos os conquistadores Tutmés III e Ramsés II, e o reformador religioso Amenófis IV.
Sob o governo de Tutmés III (1480-1448 a.C.) tentou anular o grande poder dos sacerdotes. Seu projeto era fazer uma ampla reforma religiosa, estabelecendo o culto monoteísta a Aton, o círculo solar, excluindo os demais deuses. Entretanto, os projetos de Amenófis não se concretizaram, pois esbarraram na resistência dos sacerdotes politeístas. Estes depuseram Amenófis IV e outorgaram a Tutankhamon o título de faraó, demonstrando a sua força no Estado egípcio. O prosseguimento das conquistas militares deu-se no governo do faraó Ramsés II, o qual reconquistou a Síria em 1299 a.C., entretanto vários povos asiáticos que estavam unidos contra o Egito. O poderio e o esplendor alcançados eram evidenciados não apenas pelas conquistas militares, como também pelas manifestações culturais, a exemplo da construção dos templos de Karnac e Luxor.
No final do Novo Império, o Egito voltou a ser invadido, desta vez pelos assírios, que, em 662 a.C., sob o comando de Assurbanipal, conquistaram a região. Os egípcios, porém, resistiram à dominação assíria e o faraó Psamético I (655-610 a.C.) obteve a libertação da nação, iniciando um intenso florescimento econômico e cultural. Em seguida sob o comando de Necao, o Egito viveu o seu último momento de esplendor imperial, intensificando o seu comércio com a Ásia, vizando unir o rio Nilo ao Mar Vermelho. Nesse sentido, Necao financiou a expedição do navegador fenício, Hamon, o qual realizou uma viagem singular para aquela época: partiu do Mar Vermelho e, em três anos, contornou a costa africana, retornando ao Egito pelo Mar Mediterrâneo.
Depois de Necao, as lutas internas entre a nobreza, os burocratas, os militares e os sacerdotes, somadas as rebeliões camponesas, determinaram o enfraquecimento do império. As invasões tornaram-se freqüentes e bem-sucedidas até que em 525 a.C., os persas comandados pelo rei Cambises, conquistaram definitivamente o Egito, transformando-o em uma província do Império Persa

Um comentário:

Ceitur Ings disse...

Somos colegas de profissão... e tenho estudado seus artigos, aliás, tenho escrito itens de relevancia e pretendo dividir com o respeitável colega...


Bom trabalho - Prof. Célio Max - Historiador - Brasilia DF
EMAIL... ceiturings@gmail.com...