sábado, 8 de novembro de 2008

Os Estados Unidos no século XIX



Após terem se libertado da Inglaterra e aprovado uma Constituição que definia os Estados Unidos como uma república federativa presidencialista, os norte-americanos elegeram George Washington como seu primeiro presidente.
Ele procurou aumentar o prestígio do governo central, estimulou o crescimento da indústria e da agricultura e incentivou a colonização das terras situadas a oeste dos montes Apalaches, dando início a um gigantesco movimento de expansão territorial rumo ao Pacífico (oeste), que modificou profundamente o mapa e a história dos Estados Unidos.

A marcha para o Oeste

A ocupação do Oeste ganhou um forte impulso a partir do início do século XIX, quando o governo passou a oferecer terras a preços muito baixos e facilidades para os que concordassem em desbravar o interior do continente.
Atendendo a esse apelo, uma verdadeira multidão – formada de imigrantes irlandeses, alemães e ingleses e de habitantes do litoral – partiu em carroças ou em pequenos navios pelo Mississipi-Missouri em direção ao Oeste.
As terras situadas além dos Apalaches, porém, eram ocupadas por centenas de povos indígenas que reagiram à invasão de seus territórios. Houve, então, uma série de conflitos entre esses povos e os desbravadores que, só no período entre 1800 e 1860, resultou no extermínio de cerca de 700 mil índios. Outros milhares, ainda, acabaram confinados em inúmeras reservas criadas pelo governo. Foi dessa forma que as terras dos nativos acabaram passando às mãos dos colonizadores.
Além de valer-se da desapropriação de terras indígenas, a expansão territorial norte-americano fez-se também por meio da compra de territórios de acordos diplomáticos e da guerra contra o México.
Em 1803, o governo dos Estados Unidos comprou a Louisiana da França por 5 milhões de dólares e, em 1819, para obter a Flórida, pagou à Espanha 15 milhões. Por via diplomática, conseguiu da Inglaterra o Maine e o Oregon.
A guerra contra o México explodiu em 1846 e teve como causa principal a anexação do Texas, que havia sido incorporado ao território norte-americano no ano anterior. Ao término dessa guerra, vencida pelos Estados Unidos, o México foi obrigado a ceder metade de seu antigo território. Além do Texas, perdeu a área onde é hoje a Califórnia, Nevada, Utah, Arizona, Colorado e Novo México.
Logo em seguida, descobriu-se ouro na Califórnia, fato que provocou uma nova onda migratória em direção ao Oeste. Na época dessa “corrida do ouro”, os Estados Unidos já eram donos de um território imenso, banhado por dois oceanos: o Atlântico e o Pacífico.
Na década de 1860, atendendo às necessidades criadas pela rápida industrialização do Nordeste, iniciou-se a construção das primeiras ferrovias norte-americanas. Sua principal função era garantir o transporte de matérias-primas e alimentos entre o Oeste e o Leste.
Após comprarem o Alasca da Rússia, e, 1867, os Estados Unidos adquiriram praticamente o seu atual contorno.

A Guerra de Secessão (1861-1865)

Enquanto os Estados Unidos expandiam-se até o Pacífico, os habitantes do Norte e do Sul do país divergiam cada vez mais.
Os desentendimentos entre o Norte (que se industrializava num ritmo acelerado) e o Sul (que ainda desenvolvia uma agricultura para a exportação, baseada em mão-de-obra escrava) explicam-se principalmente pelas diferenças de interesses entre as suas camadas dominantes. Tais divergências refletiam-se nos planos econômico e político. A burguesia do Norte não conseguia impor seu ponto de vista à nação porque há tempos a política do país vinha sendo dirigida por sulistas ou por pessoas que sintonizavam com os interesses do Sul.

O conflito

O resultado das eleições presidenciais de 1860 trouxe uma grata surpresa para os nortistas: o presidente eleito, Abraão Lincoln, era um abolicionista moderado e um defensor intransigente das indústrias e da unidade norte-americana.
Reagindo à vitória de Lincoln, a Carolina do Sul decidiu separar-se da União e, pouco depois, foi imitada por outros dez estados escravistas. Acontecia a secessão.
Em fevereiro de 1861, os estados separatistas fundaram a República dos Estados Confederados da América, que era presidida por Jefferson Davis e tinha como capital Richmond, na Virgínia. Três meses depois, começava a guerra civil norte-americana.
No decorrer do conflito, que provocou a morte de 620 mil pessoas, os nortistas impuseram sua superioridade econômica e militar, que estava fundamentada nos seguintes pontos: uma população de cerca de 20 milhões de habitantes; um parque industrial capaz de produzir grandes quantidades de armas, munições e roupas; uma eficiente rede de transporte (ferrovias, portos); e uma ágil e poderosa Marinha. O Sul tinha uma população de aproximadamente 10 milhões de habitantes, dos quais 3,5 milhões eram escravos, e poucas indústrias.
Em fins de 1862, no auge da guerra, o presidente Lincoln decretou a abolição da escravatura, conseguindo, com isso, enfraquecer os sulistas e aumentar o seu prestígio político.
Depois de sucessivas derrotas militares e da ocupação de sua capital pelas forças nortistas, os confederados finalmente renderam-se (9/4/1865). Profundos ressentimentos, porém, continuaram opondo sulistas e nortistas. Abraão Lincoln, reeleito presidente foi assassinado por um sulista fanático; o racismo contra os negros explodiu com toda a força. Elementos da classe dirigente sulista, de mentalidade escravista, inconformados com a possibilidade de ascensão do negro, fundaram várias associações racistas – como a violentíssima Ku-klux-klan, tristemente conhecida por perseguir, intimidar e matar negros.

Depois da guerra

O sul, região onde ocorreu a maior parte das operações militares da Guerra de Secessão foi seriamente prejudicado pelos conflitos. Suas plantações foram arrasadas, muitas cidades destruídas. Com isso, sua economia amargou uma crise resultante da escassez de mão-de-obra (libertos, os negros fugiram das fazendas) e do aumento da concorrência no mercado internacional do algodão.
Mesmo assim, nos anos que se seguiram à guerra, os Estados Unidos entraram em um período de grande prosperidade econômica, graças à especular expansão industrial do Norte.
Essa expansão foi favorecida pelo governo americano, o qual aprovou leis de proteção à indústria, estimulou a entrada de mão-de-obra e capital europeu e financiou a construção de extensas ferrovias.
Por isso, no final do século XIX, os Estados Unidos já tinham se transformado numa das maiores potências do mundo.

2 comentários:

livre_para_jesus disse...

MTO BM PROF,SO FALTOU MOSTRAR A EXPROPRIAÇÃO DAS TERRAS INDIEGENAS

Anderson Perfect disse...

Professor um trabalho excelente, me ajudou muito. Muito obrigado. Continue assim com esse dom da escrita.

Fica com Deus.

Abraço.