quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Os persas

O território central da civilização persa foi o planalto do Irã, entre o mar Cáspio e o golfo Pérsico, um dos grandes focos de civilização do rio Indo e da Mesopotâmia. Segundo Heródoto e outros historiadores gregos da antiguidade, o nome Pérsia deriva de Perseu, antepassado mitológico dos soberanos daquela região. Desde tempos ancestrais, sucessivos grupos étnicos estabeleceram-se na região. Ao longo do terceiro e do segundo milênios anteriores à era cristã foram formados os reinos dos guti, dos cassitas e dos elamitas, entre outros.
No segundo milênio surgiram também as primeiras tribos indo-européias, provavelmente originárias das planícies do sul da Rússia, e no início do primeiro milênio ocorreu a segunda chegada de povos indo-europeus, entre os quais estavam os medos e os persas, que progressivamente formaram pequenos reinos locais. Séculos depois, medos e persas ficaram sob dominação assíria. No século VII a.C., os reinos medos se uniram sob o comando de Ciaxares que reorganizou o exército - com a adoção de unidades de arqueiros montados - e, depois de unir suas forças às da Babilônia, enfrentou o poder hegemônico da região, o da Assíria, cuja capital, Nínive, foi destruída em 612. Assim, conseguiram libertar-se do jugo estrangeiro, estabelecendo, a partir de então, sua Hegemonia no planalto do Irã. Medos e babilônios dividiram entre si o império assírio. Astíages, que reinou de 585 a 550 a.C., herdou do pai um extenso domínio, que compreendia a planície do Irã e grande parte da Anatólia.
O rei persa Ciro o Grande, da dinastia aquemênida, rebelou-se contra a hegemonia do império medo e em 550 a.C. derrotou Astíages, apoderou-se de todo o país e em seguida empreendeu a expansão de seus domínios. A ambição de Ciro voltou-se então para a conquista da Babilônia, a poderosa cidade que dominava a Mesopotâmia. Ciro tirou proveito da impopularidade do rei babilônio Nabonido e apresentou-se como eleito pelos deuses da cidade para reger seu destino, e, apoiado pela casta sacerdotal, dominou-a facilmente em 539 a.C. Sucedeu a Ciro o Grande seu filho Cambises II, que em seu reinado, de 529 a 522 a.C., empreendeu a conquista do Egito, então governado pelo faraó Ahmés II, da XXVI dinastia. Ahmés tentou defender suas fronteiras com a ajuda de mercenários gregos, mas, traído por estes, abriu as portas do Egito a Cambises, que cruzou o Sinai e destroçou o exército de Psamético III, sucessor de Ahmés, na batalha de Pelusa.
Ao retornar de uma vitoriosa expedição à Núbia, o exército persa foi dizimado pela fome. Enquanto isso, um impostor, fazendo-se passar por irmão de Cambises, apoderou-se da parte oriental do império. Cambises morreu quando descia o Nilo com o resto de suas tropas. Dario I reinou entre 522 e 486 a.C. Um conselho de nobres persas decidiu reconhecer como herdeiro de Cambises um príncipe da casa real, Dario, que se distinguira como general dos exércitos imperiais por mais de um ano. Dario I dominou a Ásia até o vale do rio Indo e também uma pequena parte da Europa, onde se localizavam algumas colônias gregas. Dario e depois seu sucessor Xerxes tentaram conquistar ainda a região da atual Grécia. Onde disputaram o domínio da Ásia Menor, nas chamadas Guerras Médicas. Derrotados, os persas iniciaram um processo crescente de enfraquecimento que culminaria na submissão aos macedônios de Alexandre Magno, em 330 a.C.
A organização do império
Os povos dominados pelos persas podiam conservar seus costumes, suas leis, sua religião e sua língua. Eram obrigados, porém, a pagar tributos e a servir o exército persa. Responsável pela organização administrativa do Império Persa, dividiu-o em vinte províncias, chamadas satrápias, as quais eram governadas por vice-reis – os sátrapas – Para facilitar a comunicação entre as províncias, foram construídas diversas estradas, entre elas a Estrada Real que tinha a extensão de 2 400 Km e ligava a cidade de Susa, no Golfo Pérsico, a Sardes, nas proximidades do Mediterrâneo. Por ela passavam os correios reais, o exército e as caravanas de mercadores.
Economia e sociedade persas
A economia do Império Persa fundamentava-se na agricultura e no comércio. A população camponesa estava sujeita ao pagamento de pesados tributos, fornecendo parte d produção ao Estado e trabalhando nas obras públicas. O comércio alcançou um alto desenvolvimento, facilitado pela construção de estradas que permitiram a comunicação com outras regiões, como Egito, Fenícia, Palestina e Mesopotâmia. A implantação da moeda, o dárico, também beneficiou o comércio.
O Estado controlava todas as províncias através dos seus sátrapas e dos fiscais reais, além da força militar persa. Assim, o poder político pôde manter-se concentrado nas mãos do imperador, associado a uma rica elite de burocratas e sacerdotes, sobreposta a massa de camponeses e escravos.
Cultura e religião persas
Na arte, os persas receberam grande influência dos egípcios e dos mesopotâmicos. Fizeram construções em plataformas e terraços, nas quais utilizaram tijolos esmaltados em cores vivas. Os persas possuíam uma religião dualista, ou seja, reverenciavam duas divindades: Ormuz-Mazda, o deus do bem, da luz, do reino espiritual, e Arimâ, o deus do mal e das trevas. O deus do bem Ormuz, que não é representado por imagens e tem como símbolo o fogo: o deus do mal é Arimâ, representado por uma serpente. Essas duas divindades segundo as crenças persas, confrontavam-se freqüentemente e, ao homem cabia a missão de adorar seu criador, o Mazda para evitar o triunfo das trevas. Acreditavam na vida após a morte, onde haveria paraíso para os justos e purgatório e inferno para os pecadores. Esperavam pela vinda de um Messias que um dia salvaria os homens justos, livrando-os dos sofrimentos. Os fundamentos dessa religião acham-se apresentados no livro Zend-Avesta, escrito por Zoroastro, também conhecido por Zaratustra. Daí a denominação zoroastrismo ou masdeísmo dada a religião persa, que teve forte influência sobre outras religiões surgidas na Antiguidade, como o judaísmo e o cristianismo, sendo a principal contribuição persa para as civilizações posteriores. Segundo o zoroastrismo, o dever das pessoas é praticar o bem e a justiça, para que no dia do Juízo Final, Ormuz seja vitorioso e, assim, o bem prevaleça sobre o mal. Além disso, aos bons estava reservada a vida eterna no paraíso.

Um comentário:

Luana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.