quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Renascimento


Período da história européia caracterizado por um renovado interesse pelo passado greco-romano clássico, especialmente pela sua arte. O Renascimento começou na Itália, no século XIV, e difundiu-se por toda a Europa, durante os séculos XV e XVI.

As mudanças ocorridas na Europa a partir do século XII, como o desenvolvimento do comércio e das cidades e a expansão marítima, foram acompanhadas por um intenso movimento cultural.

Essas transformações faziam os europeus acreditarem que viviam em um novo tempo, muito diferente daquele que imperou durante toda a Idade Média. Por isso, os europeus dos séculos XIV ao XVI acreditavam estar presenciando um verdadeiro Renascimento.

Assim, em grande parte da Europa, começaram a surgir escritores e artistas preocupados em expressar os valores daquela “nova” sociedade. Em grande parte, essas atividades culturais eram financiadas por ricos comerciantes e banqueiros.

A Origem e as Características do Renascimento

O Renascimento surgiu na Itália, ou seja, no principal pólo de desenvolvimento comercial e urbano-burguês daquele momento.

Ricos comerciantes e poderosos membros da próspera sociedade italiana, interessados em destruir a mentalidade feudal, converteram-se em mecenas, patrocinando artistas, intelectuais e cientistas. As cidades italianas atraíam, também, inúmeros sábios de Bizâncio que, por terem preservado muito da cultura greco-latina, contribuíram grandemente para o desenvolvimento renascentista.

A partir da análise do conjunto das obras renascentistas é possível identificar os seguintes elementos comuns:

· Retomada da cultura greco-romana. Segundo os renascentistas, os gregos e os romanos tinham um conhecimento mais amplo da vida e de suas possibilidades do que se tinham na Idade Média. Assim, teriam expressado por meio de uma literatura e uma arte superiores às da Idade Média, segundo eles. Em grande parte, o interesse pelas obras greco-romanas foi despertado pela divulgação feita na Europa por estudiosos, como Averróis.

· Valorização do ser humano. O Renascimento coloca o ser humano como centro de sua própria história no Universo. Essa visão que dá ao ser humano papel de destaque chama-se antropocentrismo. Idéia que se opõe ao teocentrismo, dominante na Idade Média, quando então o mundo era interpretado como manifestação divina.

· Mudanças de valores em relação à vida. Segundo a concepção que se difundia, a vida dedicada à prática religiosa ou à guerra oferecia-se como uma opção; outras formas de vida passavam a ser valorizadas. Por isso, a pessoa típica do Renascimento tinha múltiplos interesses: artes, literatura, pesquisa, vida pública, etc. Nesse sentido, um dos melhores exemplos do Renascimento foi Leonardo da Vinci, que se distinguiu, ao mesmo tempo, na pintura, na escultura, na arquitetura, na literatura e nas ciências.

· Valorização da razão e da natureza. O Renascimento foi marcado pelo racionalismo, que se traduziu na adoção de metodos experimentais e de observação da natureza.

Por essas preocupações e valores, os pensadores e escritores do Renascimento eram conhecidos como humanistas. O humanista era o indivíduo que traduzia e estudava os textos antigos, principalmente gregos e romanos. Foi dessa inspiração clássica que nasceu a valorização do ser humano. Uma das características desses humanistas era a não especialização. Seus conhecimentos eram abrangentes.

O Renascimento Italiano

A Itália foi o berço do Renascimento. O acentuado desenvolvimento comercial vivenciado por cidades como Veneza, Florença, Roma, Milão e Nápoles atraiu centenas de artistas, homens das ciências e intelectuais. Os principais nomes do Renascimento italiano foram:

· Dante Alighieri (1265-1321) – autor do poema a Divina Comédia, escrita em dialeto toscano em substituição ao latim, descreve uma imaginária viagem ao inferno, purgatório e paraiso, fazendo ousada crítica à sociedade de seu tempo, especialmente aos membros da Igreja.

· Francesco Petrarca (1304-1374) – poeta considerado “pai do humanismo” escreveu De África e Cancioneiros. De África é um épico sobre as Guerras púnicas, em que o autor realça traços clássicos, especialmente o heroismo dos homens.

· Giovanni Boccaccio (1313-1375) – autor de Decameron, coletânea de 100 novelas (dez partes de dez contos cada uma), nas quais se exprime numa linguagem muito espontânea, anticlerical e cheia de sensualidade, satirizando o mundo, exaltando o individualismo e os aspectos terrenos da vida.

· Giotto (1267-1337) – pintor florentino, autor de São Francisco Pregando aos Pássaros e de Lamento Ante o Cristo Morto. Em suas obras o divino assume uma feição humana, exprimindo dor ou alegria.

· Sandro Botticelli (1457-1510) – pintor, entre tantas outras obras, de Alegoria da Primavera e Nascimento de Vênus. Seus trabalhos buscam a perfeição, a beleza e a pureza humanas idealizadas.

· Leonardo da Vinci (1452-1519) – aplicou estudos científicos à pintura, elaborando trabalhos sobre forma, cores, luz e sombra. Homem de inteligência invejável, dedicou-se a vários domínios da arte e da ciência. Famoso também por projetos dos quais destacamos alguns que podem ser considerados precursores do submarino e do helicóptero. Autor de quadros renomados como Mona Lisa, Virgem nos rochedos e Última Ceia.

· Nicolau Maquiavel (1469-1527) – considerado o pai da ciência política por seu trabalho O Príncipe. Ao escrevê-lo, Maquiavel demonstra sua preocupação com o esfacelamento da Itália envolvida em guerras e lutas civis, exposta a toda sorte de ameaças estrangeiras. Defende a centralização política, onde o governante – o príncipe – deveria concentrar em si o poder, não importando os de que lançassem mão.

· Michelangelo Buonarroti (1475-1564) – escultor, pintor e arquiteto, autor dos afrescos no teto da Capela Sistina (Vaticano). Michelangelo destacou-se também por esculpir Pietá e Moisés.

· Rafael Sanzio (1483-1520) – pintor que se dedicou principalmente à representação de madonas e da Escola de Atenas.

O renascimento entrou em decadência na Itália quando de sua difusão pelos demais países da Europa. Tal coincidência decorre fundamentalmente do declínio econômico das cidades italianas após a expansão marítima ibérica, e da Contra-reforma, que perseguiu violentamente todos os que se opunham aos dogmas e determinações da Igreja católica, chegando a executar alguns pensadores humanistas.

A Europa Renascentista

Partindo da Itália, o Renascimento difundiu-se pelas demais nações européias, sendo grandemente favorecido pelo desenvolvimento comercial que elas experimentavam naquele momento.

Alguns nomes da Renascença européia devem ser lembrados, como o dos literatos franceses Rabelais e Montaigne, autores de Gargântua e Pantacruel e Ensaios, respectivamento; dos ingleses Thomas Morus, autor de Utopia, e William Shakespeare, dramaturgo, cujos principais trabalhos são Romeu e Julieta, Hamlet, Rei Lear, Sonho de uma Noite de Verão, etc.; Albert Dürer pintor alemão autor de Cristo Crucificado e Adoração do Reis Magos; Erasmo de Roterdam, escritor holandês, autor de Elogio da Loucura, violenta crítica dirigida à Igreja; do espanhol Miguel de Cervantes que, em Dom Quixote, satiriza os ideais de cavalaria herdados da Idade Média; e os portugueses Gil Vicente (dramaturgo), autor de Auto da Barca e Alta da Alma, e Luís de Camões, autor de Os Lusíadas, o mais importante poema épico da lingua portuguesa.

O RENASCIMENTO CIENTÍFICO

Um certo distanciamento adotado pelos renascentistas em relação às pregações católicas que condenavam a investigação científica favoreceu, a partir do século XVI, o desenvolvimento de vários ramos da ciência. A principal contribuição do Renascimento ao conhecimento científico foi o desenvolvimento da observação e da experimentação. boi a partir dessas práticas que os renascentistas avançaram no conhecimento.

As duas principais figuras do Renascimento Científico foram Leonardo da Vinci e Nicolau Copérnico (1473 1543). Da Vinci inventou inúmeros mecanismos e instrumentos bélicos. Projetou máquinas novas e aperfeiçoou outras já conhecidas. Dedicou-se ao estudo da analmumiia humana, da Física, da Botânica, da Astronomia. Como já foi salientado, ele foi o modelo do renascentista, pois se dedicou a várias áreas de conhecimento.

Nicolau Copérnico contribuiu na ampliação do da Matemática, da Mecânica e da Astronomia. Formulou em 1543, a teoria heliocêntrica. que afirma que afirma que a Terra gira em torno do Sol, contrariando a doutrina católica medieval que defendia a idéia de que a Terra é o centro do universo (geocentrismo).

Galileu Galilei completou a visão heliocêntrica de Copérnico, atacando um dos principais argumentos teocêntricos da Igreja. Tal posição de Galileu custou-lhe perseguições e prisão, sendo condenado pela Igreja e obrigado a renegar suas descobertas.

Às ciências naturais progrediram graças à contribuição de muitos estudiosos, como Gesner e Rondelet, que investigaram a fauna; o geólogo Georg Bauer, que descobriu novas formas de aproveitamento dos minérios; na Medicina, André Vesálio e Miguel Servet aprofundaram os estudos de Leonardo da Vinci sobre anatomia humana e circulação sangüínea, enquanto Ambroise Paré criava a técnica de usar ataduras para estancar a hemorragia.

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