sábado, 8 de novembro de 2008

Uma região explosiva: o Oriente Médio


O Oriente Médio corresponde à parte ocidental da Ásia, perto da Europa e da África. Nessa região localizam-se Israel, Líbano, Síria, Iraque, Jordânia, Irã e Arábia Saudita, além de outros pequenos países.

Durante muito tempo, o Oriente Médio era lugar de passagem dos viajantes e mercadores que transitavam entre a Europa e o Oriente (India e China, por exemplo), realizando compra e venda de especiarias.

No século XX, muitas mudanças ocorreram no Oriente Médio. Duas delas são marcantes: a descoberta de petróleo e a criação do Estado de Israel. Os dois fatos torna-se-iam motivos para a eclosão de muitos conflitos na região.


1. O petróleo muda o papel do Oriente Médio


A exploração de petróleo começou no Irã em 1902, por iniciativa de companhias inglesas. Em outros países da região, a exploração ocorreu bem mais tarde, quando empresas dos Estados Unidos e da França passaram a participar dessa exploração. Os países árabes produtores fundaram, em 1959, Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), com o objetivo de definir políticas de produção e de preços. (A Opep é integrada também por países não-árabes.)

O petróleo passou a ter, assim, um papel cada vez mais importante no destino do Oriente Médio.

Em 1973, por exemplo, na Guerra do Yom Kippur, entre Israel, Egito e Síria, a Opep diminuiu a produção e elevou os preços do petróleo, a fim de forçar

Os países ocidentais a apoiarem os árabes na guerra. Em 1991, os Estados Unidos atacaram o Iraque – na Guerra do Golfo – para forçar a sua saida do Kuwait, um dos grandes exportadores de petróleo e que havia sido ocupado pelo exército iraquiano.


2. O nascimento de Israel e o drama dos palestinos


No começo do século XX, numerosos judeus que viviam na Europa e em outros países da Ásia e da África começaram a emigrar para a região da Palestina, então habitada por árabes palestinos.

A emigração de judeus para a região se intensificou nas décadas de 1930 e1940, quando o nazismo passou a persegui-los na Alemanha e em outros países ocupados pelo exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial.

Depois da guerra, os judeus obtiveram apoio internacional, pois a opinião pública do mundo inteiro ficou chocada com as atrocidades cometidas pelos nazistas. Surgia, assim, uma mobilização com o objetivo de criar um Estado judaico. (Na Antiguidade, os judeus habitavam a região da palestina, mas no ano 136 da nossa era eles foram expulsos pelos romanos e se espalharam por muitas regiões. A região passou a ser ocupada por povos árabes a partir da expansão do islamismo, no século VIII.)

Em 1948, a ONU aprovou o plano de participação da Palestina e a criação do Estado de Israel. Por esse plano, a parte da Palestina ocupada por colonos judeus passaria a formar um país separado, com o nome de Israel. Os árabes não aceitaram essa partilha e atacaram os judeus, mas foram vencidos. Como consequencia milhares de palestinos foram expulsos de suas terras para dar lugar aos novos colonos judeus que vinham se instalar no país recém-criado.

A partir desse momento, o conflito entre os judeus de Israel e os árabes, especialmente os palestinos, tornou-se permanente. De 1948, quando teve lugar a primeira guerra, até hoje, ocorreram quatro conflitos, todos com desfechos favoráveis a Israel.

A segunda dessas guerras ocorreu em 1956, quando Israel, ao lado da Inglaterra e da França, invadiu o Egito, mas foi obrigado a retirar-se diante da pressão internacional.

Como Israel representava para os árabes uma séria ameaça – por causa de sua política expansionista e rivalidades religiosas –, estes se prepararam para derrotá-lo. Em 1967, Egito, Síria e Jordânia iniciaram um ataque a Israel, mas o exército israelense contra-atacou e, em seis dias, derrotou as forças árabes.

Mesmo derrotados, Egito e Síria prepararam um novo ataque. Na festa judaica doYon Kippur, em 1973, Israel foi atacado de surpresa. O exército israelense recuou no início, mas conseguiu recuperar-se e novamente derrotar os exércitos egípcio e sírio.

Em 1982, Israel invadiu o Líbano para atacar os palestinos que lá viviam, pois era de onde eles partiam para atacar o território israelenses. As atrocidades cometidas pelo exército israelense, causando milhares de mortes, provocaram protesto por parte de muitos israelenses, que passaram a exigir do governo um programa de paz.

Com essas guerras, principalmente a Guerras dos Seis Dias, Israel aumentou consideravelmente seu território, conquistando áreas antes pertencentes ao Egito, à Síria e a Jordânia. A UNU determinou que Israel saísse das regiões ocupadas, mas o governo israelense não acatou a determinação.


3. A busca da paz


Depois de tantas guerras, árabes e judeus iniciaram conversações para estabelecer a paz.

Os primeiros acordos foram feitos entre Egito e Israel e intermediados pelo presidente norte-americano Jimmy Carter, em 1978, em Camp David, Estados Unidos. Esses acordos estabeleciam a devolução da península do Sinai ao Egito e o reconhecimento por parte do Egito, do Estado de Israel. A paz assinada pelo egito e por Israel, em separado, ocasionou muita revolta entre outros grupos árabes. O presidente egípcio que assinou o acordo, Anuar Sadat, foi assassinado em 1981.

Nos territórios palestinos ocupados por Israel, sobretudo na faixa de gaza, a população manifestava sua revolta contra Israel atacando os soldados que patrulhavam as ruas. Esse movimento se intensificou a partir de 1987, devido a morte de quatro palestinos atropelados por um caminhão israelense.

Crianças e adolescentes passaram a atirar pedras nos soldados, que geralmente revidavam com tiros. As mortes entre os palestinos foram aumentando, o que provocou maior rancor e intensificou a revolta. Essa reação recebeu o nome de Intifada.

Graças a iniciativas diplomáticas de diversos países, em especial da Noruega, no início da década de 1990 paletinos e israelenses iniciaram negociações pela paz. Em 1993, pela primeira vez um representante dos palestinos se reunia com um governante israelense. O representante dos palestinos era Yasser Arafat, presidente da Organização para Libertação da Palestina (OLP), Israel era representado pelo primeiro-ministro Yitzhak Rabim.

Os dois assinaram um acordo pelo qual Israel devolvia aos palestinos a Faixa de Gaza e a cidade de Jericó.

Esse acordo foi seguido de outros dois, um em maio de 1994 e outro em setembro de 1995. Israel devolveu mais áreas ocupadas por eles durante a Guerra dos Seis Dias, como a região da Cisjordânia.

Tanto do lado dos palestinos quanto do lado dos israelenses, houve muita oposição a esses acordos. Muitos palestinos achavam que não se deveria negociar com Israel, pois estes havia se apoderado de suas terras. Segundo esses palestinos mais radicais. Israel não deveria ser reconhecido como Estado e sim combatido até a derrota final.

Os judeus radicais, por sua vez, achavam que não deveriam negociar com os palestinos, considerados terroristas. Nesse estado de radicalização, um jovem israelense fanático assassinou o primeiro-ministro Rabin em novembro de 1995.

Apesar da oposição de grupos radicais, tanto o governo de Israel quanto o presidente da OLP desejavam levar adiante o processo de paz.

Shimon Peres assumiu o cargo deixado por Rabin.

Em janeiro de 1996, ocorreram as primeiras eleições gerais da história da Palestina para a presidência do Autogoverno Interino palestino, na faixa de Gaza e Cisjordânia. O presidente da Autoridade Palestina (AP) e líder da OLP, Yasser Arafat, ganhou as eleições.

O processo de paz foi praticamente interrumpido depois que Benjamin Netanyahu assumiu o cargo de primeiro-ministro de Israel em 1996. Ele tentou se reeleger em 1999, mas foi derrotado pelo seu oposicionista Ehud Barak, que reiniciou as negociações de paz. Em outubro de 1999, uma estrada ligando a Faixa de Gaza a Cisjordãnia foi aberta. Além de intensificar as negociações com o governo palestino, em 15 de dezembro de 1999 o governo de Barak iniciou conversações com o governo da Síria.


A revolução islâmica do Irâ


No final da década de 1970, o Irã passou por uma verdadeira revolução.

O país é riquíssimo em petróleo e era governado pelo xá (rei) Reza Pahlevi, cujo pai fora um general que tomou o poder mediante um golpe de Estado em 1925. Pahlevi governava o Irã com poderes absolutos, e a polícia do governo reprimia com violência todos os opositores.

A maioria da população iraniana é muçulmana. Mas o xá queria modernizar o país. Tornou-se por isso grande aliado dos Estados Unidos, do qual comprava enormes quantidade de armamentos modernos. Preferindo os costumes ocidentais, o xá não respeitava diversos preceitos da religião muçulmana.

Havia muitas pessoas presas por motivos políticos. Numerosos opositores políticos tiveram de sair do país. Um deles era o aiatolá Khomeini, um dos principais chefes religiosos do Irã, que vivia exilado em Paris. Lá gravava fitas cassete com discurso contra o xá Reza Pahlevi. Essas fitas eram levadas clandestinamente ao Irã e divulgadas entre a população.

A insatisfação com o governo de Reza Pahlevi chegou ao auge em 1979, quando uma revolta se espalhou pelo país inteiro, obrigando o xá e sua familia a fugirem do país.

Khomeini voltou ao Irã e o governo passou para as mãos dos chefes religiosos. Os preceitos do islamismo foram restabelecidos.

Um sentimento fortemente antiamericano e antiocidental passou a caracterizar política do novo governo iraniano.

A partir da morte de Khomeini em 1989, lideres religiosos passaram a governar o país.

Em 1997 foi eleito Mohammad Khatami para apresidência da República. Desde que tomou posse, tem implementado uma política de aproximação com o Ocidente. Em março de 1999, ocorreu o encontro de Khatami com o papa João Paulo II; desde 1979, um líder islãmico não participava de um encontro com o papa. No final de 1999, Khatami visitou a França.


A Guerra do Golfo


Em agosto de 1999 o Iraque invadiu o kuwait.o governo do Iraque, chefiado por Saddam Hussein, acusara o kuwait de prejudicá-lo na venda de petrólio. Segundo a acusação, o kuwait estaria vendendo petróleo a preços muito baixos. Com isso, o Iraque estaria perdendo cliente e sendo obrigado a baixar também ospreços. Saddam exigiu do governo kuwaitiano indenizações pelos prejuizos com a venda de petróleo a preços baixos.

Ele reinvindicava ainda partes do território do Kuwait, que, segundo ele, faziam parte do Iraque no passado.

Como não foi atendido, invadiu e ocupou o Kuwait com o objetivo de apoderar-se das jazidas de petróleo do vizinho. O abastecimento de muitos países que compravam petróleo do Kuwait estava ameaçado.

O Conselho de Segurança da ONU condenou a invasão e ordenou ao governo do Iraque que retirasse suas forças. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos mobilizam tropas do seu exército, além de aviões de combate e navios de guerra, deslocando-os para a Arábia Saudita, vizinha do Iraque.

Saddam Hussein recusou-se a retirar seu exército do Kuwait. A ONU autorizou então que um grupo de países, encabeçado pelos Estados Unidos, agisse militarmente para libertar o Kuwait.

O ataque iniciou-se em janeiro de 1991 e durou seis semana. No final do conflito, o Iraque estava derrotado, e o Kuwait, libertado. Mas as perdas humanas e materiais foram grande nos dois países.

Um comentário:

desconhecida disse...

Trabalho excelente, de muita valia para meus fins... Parabéns